Estabilidade traz comércio de volta a Bagdá

Após retirada dos americanos, violência diminui e movimento volta às lojas da capital iraquiana

GUILHERME RUSSO, ENVIADO ESPECIAL / BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2012 | 03h06

Não fosse pelos buracos de bala nos edifícios do centro de Bagdá, ninguém diria que o Iraque enfrentou nove anos de conflito. Após a retirada das tropas americanas, os iraquianos voltaram a frequentar os núcleos comerciais e os números do varejo cresceram.

"As explosões diminuíram, mas ainda falta segurança", disse a funcionária pública Adil Sabah, de 23 anos, que trabalha na cidade de Al-Mansour. A mesma opinião tem a grande maioria dos moradores de Bagdá ouvidos pelo Estado nos últimos dias.

Meqsad al-Obardi, de 60 anos, disse que, após a retirada dos americanos, "a confiança entre o povo e o governo aumentou". "Antes, ninguém saía de casa, isso era impossível. Agora, não há mais explosões."

No mercado de Shorja, no centro de Bagdá, onde praticamente todos os produtos do varejo são postos à venda, o clima de otimismo em relação a um possível crescimento econômico - em razão da saída dos EUA do país - é evidente.

"Meu movimento melhorou. Estamos nos tornando livres. Era muito ruim quando estávamos cercados por americanos o tempo todo. Eles eram alvos de ataques que acabavam atingindo o povo. Naquele tempo, era impossível trazer minha mercadoria de outras regiões do país, pois ruas e estradas sempre estavam bloqueadas", disse o ambulante Abbas Abid al-Kaab, de 54 anos, que vende maçãs e amoras em Shorja.

A maioria do que é comercializado no mercado - exceto os peixes do Rio Tigre - vem da Turquia. "Nosso comércio está crescendo muito rapidamente. Os conceitos modernos de economia estão chegando ao Iraque. A maioria dos produtos, porém, vem dos países vizinhos", disse o vice-diretor do Banco Central iraquiano, Mudher Kasim.

Estabilidade. Segundo Kasim, o governo gastou 8% de seu último orçamento em estímulos econômicos - o resultado deve ser registrado em junho, que é quando serão divulgados dados oficiais sobre o crescimento do comércio.

Para Al-Haj Abdul Jabbar al-Juburi, de 70 anos, dono de uma fábrica de artigos metálicos que ontem fazia suas compras em Shorja, "a segurança melhorou muito". "Antes, quando vinha ao mercado, sentia medo, porque os americanos sempre nos faziam revistas completas."

Sob a condição de anonimato, dois militares que faziam a segurança do mercado Jamila, em Sadr City, afirmaram que se sentem aliviados após a retirada dos americanos. De acordo com eles, a segurança melhorou "muito". "Não somos mais alvos. Ninguém nos associa mais com os EUA, por isso, não somos mais atacados", afirmou um dos militares.

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