Andrew West/The News-Press/USA TODAY NETWORK via Reuters
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Estado americano da Flórida começa a agir contra o 'turismo de vacinação'

Estado havia liberado imunização para todas as pessoas a partir de 65 anos e não cobrava comprovante de residência, o que passou a fazer agora

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 21h16

MIAMI - As autoridades de saúde do Estado americano da Flórida anunciaram nesta quinta-feira, 21, que, a partir de agora, os residentes do Estado terão prioridade no plano de vacinação contra a covid-19, a primeira medida contra o chamado 'turismo de vacinação' que deixou muitos habitantes indignados. Segundo dados do Departamento de Saúde da Flórida, entre as mais de 1,1 milhão de doses de vacinas contra a covid-19 já aplicadas no Estado, 39 mil foram recebidas por não residentes. 

O cirurgião-chefe da Flórida, Scott A. Rivkees, emitiu uma ordem que obriga os fornecedores de vacinas a exigirem dos receptores um comprovante de residência.  Até agora, só poderia ser cobrado um documento para provar que a pessoa tem mais de 65 anos, grupo escolhido pelo governador Ron DeSantis como prioritário na vacinação, juntamente com os trabalhadores da saúde expostos na linha de frente contra a covid-19 e os doentes em risco extremo.

Antes do anúncio da decisão feito por Rivkees, profissionais da saúde de condados da Flórida como Volusia e Seminole declararam à imprensa que já tinham "autorização" para exigir o comprovante de residência dos candidatos à vacinação.

Contudo, o problema mais grave atualmente não é o "turismo de vacinação", que foi relatado no início de janeiro por mensagens e vídeos em redes sociais de argentinos que tinham sido vacinados em Miami, mas sim a escassez de vacinas.

O Mount Sinai Medical Center, em Miami Beach, anunciou nesta quinta-feira o cancelamento de todas as vacinações agendadas para depois do dia 23  "devido à incerteza sobre o fornecimento da vacina". O maior grupo hospitalar do Estado, Baptist Health, tomou uma decisão semelhante.

No site para agendar um centro de vacinação gerido pelo Condado de Miami-Dade, o mais populoso e mais duramente atingido pela covid-19 na Flórida, já não há disponibilidade de datas.  

O Departamento de Saúde da Flórida não divulgará mais informações sobre quantas pessoas receberam a segunda dose da vacina, apenas sobre o total de pessoas vacinadas. A imprensa local relatou esta semana que milhares de pessoas teriam excedido o prazo de 21 dias para receber a segunda dose, necessária para garantir a eficácia da vacina. 

Covid-19 não dá trégua

Enquanto isso, a covid-19 não dá trégua à Florida, que na quinta-feira contou 12.873 novos casos e mais 161 mortes, sendo o terceiro Estado com mais infecções (mais de 1,6 milhão) e o quarto com mais mortes (mais de 25 mil) nos Estados Unidos. A Flórida também tem o maior número de casos da variante mais contagiosa descoberta no Reino Unido.

Neste contexto, e depois de ter minimizado durante semanas o "turismo de vacinação", DeSantis disse na terça-feira que a vacina só deveria ser destinada a residentes "permanentes ou temporários" da Flórida.

Desta forma, incluiu pessoas de outros Estados e países que têm casas e apartamentos na Florida e passam longos períodos, o que constitui uma importante fonte de renda para o Estado e cidades turísticas como Miami.

Para provar a residência, as pessoas devem apresentar uma carteira de habilitação, uma carteira de identidade da Flórida válida ou uma conta de serviços públicos com um endereço da Flórida.

Se forem residentes sazonais, um contrato de aluguel é suficiente. O maior grupo de residentes sazonais são os chamados 'snowbirds' (pássaros da neve), que chegam quando começa o frio e vão embora quando o bom tempo começa nas cidades de origem.

Compromisso com a vacina

Na luta contra a covid-19, o governador da Flórida, apoiador do ex-presidente Donald Trump, apostou tudo na vacinação e pouco ou nada em medidas preventivas. Durante toda a pandemia, DeSantis não forçou o uso de máscaras em nível estadual e não permitiu que os condados tomassem medidas como fechamentos de negócios. 

Durante a gestão de Trump, as autoridades federais distribuíram as vacinas aos Estados e as autoridades estaduais distribuíram-nas no seu território. 

O plano do novo presidente, Joe Biden, contempla a criação de centros de vacinação geridos pela Fema, a agência de gestão de emergências dos EUA, algo que DeSantis rejeitou abertamente, porque, segundo ele, a Florida não precisa disso, mas de vacinas.

DeSantis envolveu redes de farmácias, igrejas e centros comunitários, assim como hospitais e centros médicos, no plano de vacinação, que começou em meados de dezembro. /EFE

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