Estado americano vota para revogar mandato de governador

Em Wisconsin, republicano Scott Walker pode ser cassado em uma rara forma de impeachment popular

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2012 | 03h06

O governador republicano de Wisconsin, Scott Walker, corre o risco de perder hoje seu mandato. Não se trata de um processo de impeachment, mas de um raro caso de eleição revogatória. Alinhado ao Tea Party, facção mais conservadora do partido, Walker acirrou as divergências partidárias, confrontou-se com poderosos sindicatos e pode receber o troco.

Nos EUA, a eleição revogatória é chamada de "recall", um instrumento para pôr fim ao mandato de um político, por meio do voto direto, e permitir a escolha de seu sucessor. O concorrente de Walker é o prefeito democrata de Milwaukee, Tom Barrett.

Para o processo ser convocado, um pedido tem de ser enviado à Justiça com um número mínimo de assinaturas. O procedimento é raro e teve resultados efetivos para governadores apenas duas vezes: em 1921, em Dakota do Norte, e há nove anos, na Califórnia.

O processo trouxe de volta ao Estado o clima da campanha eleitoral. O governador, de 44 anos, arrecadou cerca de US$ 63 milhões para sua campanha, dos quais boa parte veio de organizações da direita radical americana. Tom Barrett apoiou-se nos sindicatos para coletar US$ 14 milhões.

Pesquisas apontam um empate técnico: Walker com 50% e Barrett com 47% das intenções de voto. "Nossos oponentes não têm um plano. O único plano é me atacar", disse o republicano. "Minha campanha terminará como começou, como um movimento das bases", respondeu o democrata.

Walker não tem seu mandato questionado por corrupção ou atos ilícitos, mas por causa de medidas incluídas no seu programa de ajuste fiscal, entre elas a proibição de renegociações de acordos coletivos do funcionalismo público. A iniciativa foi entendida como uma declaração de guerra aos sindicatos e provocou protestos generalizados em todo o Estado.

O projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Wisconsin, mas foi derrubado pela Suprema Corte de Justiça estadual. O pedido de revogação do mandato do governador foi aceito em março com 900 mil assinaturas.

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