Ana Paula Franco/Estadão
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Estado-chave, Flórida tem votação tranquila e pouca aglomeração

Região tem grande número de votos no Colégio Eleitoral e vive disputa acirrada entre Trump e Biden

Ana Paula Franco, especial para O Estadão

03 de novembro de 2020 | 20h37

MIAMI - Em um ano atípico em que, devido à pandemia do novo coronavírus, grande parte dos norte-americanos optou por votar com antecedência pelos correios, o clima nos locais de votação na Flórida foi de tranquilidade. Alguns eleitores estavam empunhando bandeiras e cartazes com nomes de candidatos tanto à presidência quanto a outros cargos, como deputados e senadores, mas o clima de cordialidade prevaleceu nesses lugares. 

O ensolarado Estado americano é considerado um dos mais importantes na corrida presidencial entre Donald Trump e Joe Biden, e o que se viu em postos de votação como igrejas, escolas e bibliotecas foram poucas filas, prática do distanciamento social e pouca aglomeração.

Segundo estimativas do Consulado-Geral do Brasil em Miami, cerca de 300 mil brasileiros vivem na Flórida atualmente. A grande maioria está concentrada nos condados de Miami-Dade, Broward, Palm Beach — região Sul da Flórida — e Orange, onde fica a cidade de Orlando. Para votar, é obrigatório ser cidadão norte-americano e ter se registrado com antecedência. Imigrantes portadores de green card não têm autorização para votar. 

Em uma igreja luterana na cidade de Deerfield Beach, cidade localizada a 1 hora de Miami e que tem um grande número de brasileiros, eleitores que seguravam cartazes e guias de votação faziam boca de urna, prática proibida. “Eu sou a favor do presidente Trump porque ele fez um trabalho incrível. Não tenho nada do que reclamar do governo dele. Pelo contrário, tenho medo que os democratas ganhem essa eleição e envergonhem os Estados Unidos perante o mundo, incluindo o Brasil”, afirmou o eleitor americano John Davis, aposentado, que acredita que Joe Biden vai “entregar os EUA para estrangeiros, como a China, e para países petroleiros”.

O casal de brasileiros Ellen e Leonardo Jannuzzi votou em Miami, onde moram e são registrados. Eles afirmam que votaram no atual presidente pelo que ele fez pela economia americana e por temerem que Joe Biden aumente impostos. “Biden disse em alto e bom som que vai aumentar os impostos daqueles que ganham mais de 400 mil dólares por ano. Os nossos patrões ganham isso e, se ele aumentar o imposto dos nossos empregadores, isso vai impactar diretamente no nosso trabalho e na economia em geral”, justificou Ellen.

Já a brasileira Camila Melo, que optou por votar com antecedência, explica porque votou em Biden. "Meu voto foi para o Joe Biden pelo fato de ele ser o oposto de Trump. Ele tem planos pra um futuro melhor e quer governar o país para todos, não somente para aqueles que o apoia. A mensagem dele é de união. Joe Biden ajudou esse país a se erguer na crise econômica de 2008 (quando foi vice-presidente de Obama) e ele vai ajudar a erguer os Estados Unidos mais uma vez”, disse a carioca.

Estado-pêndulo 

A Flórida é considerada um Estado-pêndulo, ou seja, Estado indefinido onde não há predominância de um único partido. Isso quer dizer que, em eleições anteriores, o pleito já foi vencido por democratas e republicanos.

Na opinião da advogada de imigração brasileira Renata Castro, que vive nos Estados Unidos há mais de 20 anos e já foi candidata por duas vezes a vereadora pelo Partido Democrata, essa é a razão pela qual os candidatos ficam de olho no Estado. “A Flórida, depois de Nova York e Califórnia, é um Estado com grande número de votos no Colégio Eleitoral e que passa por muitas mudanças. É um Estado que ano após ano recebe moradores de diversas localidades e cada vez mais eleitores com opiniões políticas distintas, além de imigrantes do mundo todo. Isso, sem sombra de dúvida, contribuirá para uma nova dinâmica eleitoral no Estado da Flórida”.

A advogada teme que, caso Biden vença, Trump não aceite a derrota e as eleições se transformem em uma grande briga judicial. “Trump já afirmou que vai declarar vitória se a disputa for apertada e levará a disputa aos tribunais caso Biden ganhe”.

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