Estado de dissidente cubano é ''grave''

Fariñas, em greve de fome há 17 dias, ficará mais um dia em hospital

, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

SOCORRO - Fariñas é carregado por médico depois de desmaiar na quinta-feira: dissidente está muito fraco e pode ter complicações renais

O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há 17 dias, está em estado grave, porém estável, e deve ficar mais um dia internado em um hospital de Santa Clara, cidade a 280 quilômetros ao leste de Havana. De acordo com parentes, o opositor está muito fraco e pode ter complicações renais.

O jornalista e psicólogo, de 48 anos, estava na UTI, onde médicos fizeram exames para avaliar até que ponto sua saúde foi deteriorada pelo jejum atual e pelas outras 22 greves de fome que fez desde a década de 90. Segundo um boletim médico divulgado às 13 horas (15 horas de Brasília), Fariñas está recebendo soro fisiológico e glicose por via intravenosa.

A mãe de Fariñas, Alicia Hernández, afirmou que seu filho sofre de doenças neurológicas, deficiências cardíacas e outras complicações. Ele também teria dores musculares e sinais de desidratação. Alicia disse que está mais "tranquila" porque o estado de saúde de seu filho está sendo monitorado 24 horas por dia, mas lamentou a recusa de Fariñas em abandonar a greve de fome.

O dissidente - que foi internado na quinta-feira depois de perder a consciência - começou seu protesto no dia 24 para pedir a libertação de 26 presos políticos que estão doentes. O jejum também é uma manifestação contra a morte de Orlando Zapata Tamayo, preso político que morreu após passar 85 dias em greve de fome.

"Ele está consciente, mas continua tendo dores nas articulações e na cabeça, além de sintomas de desidratação", afirmou Alicia. "Ele me disse que está muito esgotado."

Na noite de quinta-feira, um grupo de dissidentes - entre eles a blogueira Yoani Sánchez - viajou para Santa Clara para pedir que Fariñas abandonasse a greve de fome. Líderes católicos também fizeram o mesmo pedido, mas Fariñas recusou.

RESPOSTA BRASILEIRA

O governo brasileiro rejeitou ontem a possibilidade de interceder em favor dos dissidentes cubanos, apesar das duras críticas que vem recebendo (mais informações nesta página).

"Nos relacionamos com governos, não com dissidentes", afirmou o assessor especial do Palácio do Planalto para relações exteriores, Marco Aurélio Garcia, à imprensa estrangeira. "Tomar partido (pelos dissidentes) seria uma decisão inadequada e contraproducente."

PRESSÃO POLÍTICA

23/2: Preso político Orlando Zapata morre após passar 85 dias em greve de fome. Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chega a Havana e lamenta morte de opositor

24/2: O dissidente Guillermo Fariñas inicia greve de fome

3/3: Fariñas sofre primeiro colapso e é internado

9/3: Lula defende Justiça cubana e compara presos políticos a criminosos comuns

11/3: Fariñas perde a consciência e é levado para hospital em Santa Clara, a 280 quilômetros ao leste de Havana

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