Estado de emergência no Paquistão causa irritação e pessimismo

As redes telefônicas pararam defuncionar por horas e os canais de TV saíram do ar, mas anotícia de que o Paquistão havia entrado em estado deemergência tomou conta de Karachi, a maior cidade do país,antes das comunicações serem interrompidas. Naeem Ahmed afirmou que, graças ao apagão das emissoras deTV, ele nunca havia vendido tanto jornais quanto na manhã destedomingo. No entanto, sua alegria acabava aí. "Pessoalmente, acredito que o estado de emergência vaiagravar ainda mais a situação em que estamos", disse. Já Yawar Abbas, um empresário de 42 anos, fazia parte daminoria que apóia o presidente Musharraf. "Acho que foi uma medida correta", observou. "Os poderes doestado de emergência vão ajudar o governo a controlar oterrorismo e o extremismo crescentes." Amir Ahmed comentou que estava pasmo com os acontecimentos.Ele esperava no aeroporto pelo irmão, que chegava de Dubai nomesmo vôo que a líder da oposição Benazir Bhutto. "Este país é incrível. Em um intervalo de meses nós saímosde um estado de reconciliação para um de emergência", disse. Bhutto retornou de um auto-exílio em 18 de outubro, comoparte de um processo de reconciliação, que abriria caminho paraeleições parlamentares em janeiro. A líder havia ido a Dubai naquinta-feira para passar alguns dias com a família.Na sua volta do exílio duas semanas, milhares de pessoas saíramàs ruas para saudá-la, mas a festa virou tragédia quando umatentado suicida resultou em 139 mortes. Na noite de sábado, havia somente algumas dezenas desimpatizantes esperando por Bhutto no aeroporto. Quem estava lá tinha certeza de que o presidente Musharraf,um general que chegou ao poder através de um golpe oito anosatrás, cometera um erro, que levará ao fim do seu regime. "Musharraf foi longe demais. Ele não vai ficar no poder pormuito mais tempo", afirmou Manzoor Abbas, integrante do partidode Bhutto. Muitos habitantes de Karachi, no entanto, deram ombros àsnovas medidas do general. "Provavelmente vou trabalhar amanhã, pegar o meu pagamento,sair à noite, e não vejo nenhum militar do lado de fora daminha casa", declarou Saif Khan, 25 anos, funcionário de umbanco de investimentos, mais interessado em estabilidadeeconômica que em personalidades políticas. "Tudo bem, alguns investimentos podem sair daqui, mas essascoisas acontecem mesmo", completou.A dona-de-casa Firdoos Begum, 45 anos, preocupava-se com opreço dos alimentos e com a inflação, um importante fator naqueda de popularidade de Musharraf. "O estado de emergência vaiaumentar ainda mais os preços, e os pobres ficarão maispobres." (Colaboraram Ovais Subhani e Imtiaz Shah)

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