Estado de emergência provoca protestos no Peru

A polícia peruana reprimiu milhares de pessoas que protestavam nas ruas contra a decretação do estado de emergência pelo governo. Na tentativa de conter uma onda de protestos e greves que se espalha pelo país, o presidente do Peru, Alejandro Toledo, decretou na terça-feira à noite um estado de emergência em todo o território nacional, que passou a vigorar a partir da zero hora de hoje e deve durar 30 dias. A medida, prevista na Constituição do país, restringe liberdades individuais. Além disso, a responsabilidade pelo controle da ordem interna passa para as Forças Armadas e os agentes de segurança podem efetuar prisões sem mandado.Num pronunciamento transmitido em cadeia de TV, Toledo justificou o ato de exceção com a necessidade de "restabelecer a ordem, resguardar a estabilidade democrática e garantir os projetos de desenvolvimento e investimento essenciais para o país". "Estamos decididos a reabrir as escolas e restabelecer o trânsito nas estradas", disse Toledo.De norte a sul do país, unidades de choque da polícia peruana reprimiram protestos dos manifestantes contra a decretação da emergência. Em Lima, a polícia usou jatos de água na tentativa de dispersar centenas de funcionários do Poder Judiciário que se concentravam no centro da capital. Em Trujillo e Chiclayo (no noroeste do país), Cajamarca (norte), Huancavelica (sudeste) e Tacna (sul) também foram registrados choques entre policiais e manifestantes, reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo. Em Sullana (noroeste) e Huánaco (nordeste), houve saque de mercados e lojas. Após uma série de conflitos, um dos setores grevistas, o dos agricultores, suspendeu a paralisação. Funcionários públicos do setor previdenciário também voltaram ao trabalho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.