Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Estado de Michigan certifica resultados de eleição que deu vitória a Biden

Certificação formaliza vitória de Biden apesar dos esforços do presidente Trump em questionar os resultados na Justiça; democrata venceu por uma diferença de mais de 150 mil votos

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2020 | 18h55
Atualizado 23 de novembro de 2020 | 20h14

WASHINGTON - O conselho eleitoral estadual de Michigan certificou o resultado final da eleição presidencial nesta segunda-feira, 23, dando a vitória oficial a Joe Biden – que deve ficar com os 16 votos do Estado no colégio eleitoral. Conselheiros do Estado foram pressionados pelo presidente Donald Trump a atrasar a certificação. Sem provas, o republicano alegou fraude na votação.

Trump interveio diretamente no processo eleitoral do Estado. Ele apoiou funcionários republicanos que mentiram sobre a integridade da eleição e convidou deputados e senadores estaduais do Partido Republicano para uma conversa na Casa Branca na sexta-feira – a intenção de Trump era que os parlamentares ignorassem o resultado das urnas e indicassem representantes da legenda para o colégio eleitoral. Após a reunião, os deputados disseram que a certificação dos votos e a votação no colégio eleitoral não seriam alteradas.

O conselho eleitoral de Michigan, formado por dois democratas e dois republicanos, certificou o resultado final após analisar relatório do Bureau das Eleições, que apontou a vitória de Biden por 154 mil votos – o placar foi de 3 votos favoráveis ao resultado e uma abstenção. A votação foi transmitida pela internet e, segundo o jornal USA Today, cerca de 30 mil pessoas acessaram o YouTube para assistir aos procedimentos.

A certificação dá a Biden oficialmente um importante Estado, onde Trump havia vencido Hillary Clinton há quatro anos. Além disso, dá fim às manobras jurídicas e políticas do presidente para anular os resultados com falsas alegações de fraude eleitoral e esforços para adiar a certificação.

O processo de hoje ocorreu após uma semana de incertezas, que começou quando o Conselho de Coletivos do Condado de Wayne, o maior de Michigan, travou a certificação dos resultados por causa de pequenas discrepâncias na contagem dos votos. Monica Palmer, um dos dois membros republicanos do grupo, sugeriu que fossem certificados os resultados sem inclusão da cidade de Detroit, onde os eleitores, muitos deles afro-americanos, deram a Biden 94% dos votos.

Após muito debate e protesto de eleitores que assistiam à reunião ao vivo, o conselho certificou os resultados por unanimidade. Para atender ao pedido de Monica e seu colega republicano, William Hartmann, o conselho pediu uma auditoria dos resultados.

Após a reunião, Monica e Hartmann receberam uma ligação de Trump e, no dia seguinte, reverteram sua decisão e disseram que queriam mudar seus votos – eles disseram que se sentiram enganados e diziam ter dúvidas sobre a investigação que foi prometida.

Pressão na Casa Branca

A pressão exercida diretamente pelo presidente se intensificou na sexta-feira, quando Trump convidou sete parlamentares de Michigan para um encontro na Casa Branca – iniciativa que gerou especulações sobre uma ingerência de Trump no processo eleitoral. Logo depois, porém, o presidente da Câmara estadual, Lee Chatfield, de Levering, no norte de Michigan, e o líder da maioria no Senado estadual, Mike Shirkey, de Clarklake, no sul do Estado, disseram que não havia nada que pudesse mudar os resultados da eleição.

As declarações de ambos impediria uma manobra, incentivada por Trump em um tuíte no sábado, de os legisladores nomearem um colégio eleitoral só de republicanos e ignorassem o resultado das urnas. Ainda assim, líderes dos comitês de campanha nacional e estadual exigiram que a secretária de Estado de Michigan, Jocelyn Benson, não certificasse o resultado até que a auditoria fosse concluída.

Benson afirmou que o Estado já planeja a auditoria pós-eleitoral, mas, segundo a lei de Michigan, esse levantamento não pode começar até que os resultados das eleições sejam certificados. “Isso não é novidade”, disse. “Essas auditorias não são realizadas em resposta a alegações míticas de irregularidades que não têm base de fato. A auditoria é uma ação voluntária, proativa e planejada em todo o Estado.”/ NYT

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