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Estado de saúde de Fariñas piora a cada dia

Estado de saúde de Fariñas piora a cada dia

Opositor permanece no hospital e mantém jejum, apesar de ser alimentado por uma sonda

Ruth Costas, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Há um mês em greve de fome para pedir a libertação de 26 presos políticos cubanos cuja condição de saúde teria se deteriorado, o psicólogo e jornalista Guillermo Fariñas permanecia hospitalizado, e na Unidade de Terapia Intensiva, na semana passada, quando o Estado visitou Santa Clara, cidade onde ele vive. Seu estado piorava dia a dia.

Alimentado por uma sonda, Fariñas começou a semana com uma febre que poderia ser um indício de infecção. Tinha dores nas juntas e uma dor de cabeça muito forte, segundo a mãe dele, Alícia Hernandez Cabeza, de 75 anos. Apesar de respeitar a decisão do filho, ela é contra a greve de fome. "Nenhuma mãe pode ser a favor de algo que pode levar o filho a ir definhando até a morte", explicou, emocionada, na pequena residência em que mora com Fariñas, a outra filha e uma neta. A mulher, Clara Gómez, e a filha do psicólogo, de 8 anos, moram em outra cidade.

Fariñas começou seu jejum em 24 de fevereiro, após a morte do preso político Orlando Zapata, também em greve de fome, e durante uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cuba. Na UTI, a família se reveza em turnos de 6 horas como acompanhante do dissidente.

Fariñas diz estar disposto a levar o protesto até a morte. O dissidente já foi detido três vezes. Segundo Havana, ele seria um delinquente comum, preso por ser violento e agredir duas pessoas, em 1995 e em 2002. A mãe dele nega e diz que os casos estavam relacionados a disputas por causa de denúncias de corrupção que Fariñas teria feito. "Você acha que um delinquente, um criminoso comum, leria todos esses livros aqui?", perguntou Alicia, mostrando a biblioteca de Fariñas. Na estante, há clássicos como Shakespeare e a Odisseia de Homero, estudos políticos e livros sobre Cuba.

"Meu filho é psicólogo com mestrado, fala russo, porque ganhou uma bolsa para estudar na União Soviética, e um pouco de inglês. Não é bandido como diz seu presidente", completa Alice, lembrando a frase de Lula quando visitou a ilha: "Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo resolvessem fazer greve de fome?" O "escritório" de Fariñas fica na parte do fundo da casa. Consiste em apenas um computador e uma cadeira.

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