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Estado Islâmico acusa Jordânia de matar refém americana em ataques aéreos

Identificada como Kayla Jean Mueller, a mulher teria sido morta durante as orações em um local que foi bombardeado por uma hora

O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 15h18

O Estado Islâmico (EI) publicou ontem nota na internet acusando a Jordânia de ter matado uma refém americana em ataques aéreos nas imediações da cidade de Raqqa, norte da Síria, principal reduto do grupo extremista.

A Força Aérea jordaniana faz parte da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o avanço dos radicais na região e intensificou sua participação na campanha após divulgação de vídeo em que militantes queimam vivo um piloto capturado em dezembro.

A mensagem identificada e divulgada pelo grupo de monitoramento de atividades jihadistas SITE disse que a americana, em poder dos combatentes islamistas desde 2013, foi morta quando o edifício onde ela estava presa foi fortemente atingido por um ataque aéreo.


A mulher foi identificada como Kayla Jean Mueller, agente humanitária americana de 26 anos, e disse que ela foi morta ontem, durante as orações do meio-dia em bombardeios contínuos que duraram “mais de uma hora”.

O grupo também publicou fotos do suposto local atingido, mostrando um edifício de três andares totalmente danificado – não postou imagens da mulher. “A fracassada ofensiva jordaniana matou uma refém americana”, diz a mensagem. “Nenhum mujahid (combatente islâmico) foi ferido no bombardeio, graças a Alá.”

O governo jordaniano disse ontem que não acredita nas declarações do EI de que a refém americana morreu em consequência de seus ataques aéreos. “Estamos verificando as alegações, mas nossa primeira reação é que achamos ilógico e estamos céticos com relação a isso, faz parte da propaganda criminosa deles”, disse o porta-voz Mohamed Momani. 


Funcionários do governo americano disseram que estavam investigando a nota do grupo radical. Bernadette Meehan, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, disse que a Casa Branca “até agora não viu nenhuma evidência que confirme” a alegação de que a refém morreu. “Obviamente, estamos muito preocupados com essas notícias”, disse ela.

Um parente da refém disse à agência Associated Press no ano passado que Kayla estava trabalhando com grupos humanitários na Síria quando foi capturada em 2013. Seus colegas receberam um vídeo com prova de vida alguns meses atrás, mostrando-a com um hijab e pedindo por sua vida.

Se a morte dela for confirmada, será a quarta americana a morrer em poder dos militantes do EI. Três outros americanos, os jornalistas James Foley e Steven Stoloff e o agente humanitário Peter Kassig foram decapitados pelo grupo.

Mueller, da cidade de Prescott, no Estado americano do Arizona, estava trabalhando na Turquia dando assistência a refugiados sírios, segundo reportagem de 2013 do jornal local The Daily Courier.

De acordo com o diário, Mueller estava trabalhando com a agência humanitária Support to Life, assim como uma organização não governamental que ajuda refugiadas sírias a desenvolverem habilidades.

Um artigo de 2007 do mesmo jornal diz que ela era estudante da Northern Arizona University e era ativa na Save Darfour Coalition.

No domingo, o presidente americano, Barack Obama, disse que os EUA estavam “deslocando todos os recursos possíveis” para encontrar Mueller.

A Jordânia, que faz parte da coalizão internacional liderada pelos EUA e ataca posições do EI na Síria e no Iraque, reforçou seus ataques após anúncio da execução do piloto jordaniano Moaz al-Kasasbeh. O governo sírio disse na quinta-feira que caças jordanianos bombardearam campos de treinamento e depósito de armamentos do EI.

O Exército jordaniano disse que os seus caças realizaram “uma série de ataques nesta sexta-feira (ontem), destruíram os alvos e voltaram em segurança”. O porta-voz das Forças Armadas não deu mais detalhes sobre o assunto ou revelou a localização dos bombardeios aéreos.

Mas ativistas que monitoram o conflito sírio no país disseram que aviões da coalizão liderada pelos americanos atingiram vários alvos na periferia de Raqqa em rápida sucessão, ontem.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, disse que dezenas de militantes foram mortos nos bombardeios da coalizão que tinham como alvo depósitos de tanques e veículos militares na área de Al-Madajen e pelo menos seis outras posições do EI, incluindo um campo de treinamento e uma prisão. / NYT e REUTERS

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