AP Photo/Arshad Butt
AP Photo/Arshad Butt

Estado Islâmico assume autoria de atentado que deixou mais de 50 mortos no Paquistão

Site de propaganda jihadista ligado ao grupo publicou a reivindicação e disse que três soldados ‘usaram metralhadoras e granadas’; principal facção insurgente do país - Tehrik-e-Taliban Pakistan - também alegou ser a autora do ataque

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 11h45

QUETTA, PAQUISTÃO - O grupo militante Estado Islâmico (EI) afirmou nesta terça-feira, 25, que seus combatentes atacaram uma academia de treinamento da polícia em Quetta, cidade do sudoeste do Paquistão, em uma ação que deixou 59 mortos e mais de 100 feridos.

Centenas de alunos ocupavam as instalações quando homens mascarados invadiram o colégio situado nos arredores de Quetta no fim da segunda-feira. Alguns cadetes foram feitos reféns durante a operação, que durou quase cinco horas. A maioria dos mortos era cadetes.

"Os militantes vieram direto em nossa caserna. Eles entraram com tudo e começaram a disparar à queima-roupa. Começamos a gritar e correr pela caserna", disse à mídia um cadete da polícia que sobreviveu ao ataque.

Outros cadetes no colégio contaram ter saltado pelas janelas e se escondido debaixo de camas enquanto os mascarados os perseguiam. Imagens em vídeo de dentro de uma das casernas mostraram fileiras de camas chamuscadas.

Um site de propaganda jihadista ligado ao Estado Islâmico publicou a reivindicação, dizendo que três combatentes do grupo "usaram metralhadoras e granadas, depois detonaram seus coletes de explosivos na multidão".

Mir Sarfaraz Bugti, ministro de Assuntos Internos da Província do Baluquistão, cuja capital é Quetta, disse que os atiradores atacaram um dormitório nas instalações de treinamento enquanto os cadetes descansavam e dormiam. "Dois agressores se explodiram, enquanto um terceiro foi baleado na cabeça por seguranças", disse Bugti. Mais cedo, autoridades haviam dito haver entre cinco e seis atiradores.

Um dos principais comandantes militares do Baluquistão, general Sher Afgun, disse à mídia que ligações interceptadas entre os agressores e seus mentores levam a crer que eles pertencem ao grupo militante sunita sectário Lashkar-e-Jhangvi (LeJ).

"Chegou ao nosso conhecimento, pelas interceptações de comunicação, que havia três militantes que estavam recebendo instruções do Afeganistão", disse Afgun à mídia, acrescentando que a facção Al Alami, do LeJ, foi responsável pelo ataque. O grupo tem um histórico de ataques sectários no Baluquistão, particularmente contra a minoria Hazara Shias. O Paquistão já acusou o LeJ de conspirar com a Al-Qaeda.

Dúvida. O principal grupo insurgente do Paquistão, o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), também reivindicou a autoria do atentado em Quetta. "O ataque foi em resposta aos assassinatos de nossos combatentes em custódia policial. Continuaremos até que a lei islâmica seja imposta no país", indicou o TTP em nota enviada aos jornalistas.

Segundo o texto, assinado pela divisão do TTP em Karachi, quatro homens participaram do ataque e mataram 65 policiais.

O TTP é composto por diferentes grupos islamistas. Desde a operação militar que começou em junho de 2014 nas regiões tribais, as atividades diminuíram significativamente. /REUTERS e EFE

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