Stringer/ EFE
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Estado Islâmico assume autoria de ataque ao Ministério de Relações Exteriores da Líbia

Duas explosões dentro do prédio mataram três pessoas e feriram 21; uma terceira explosão aconteceu do lado de fora, em um veículo

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2018 | 01h20

TRÍPOLI - O Ministério de Relações Exteriores da Líbia foi alvo de atentado com três explosões na capital do país, Trípoli. Três homens armados com cinturões explosivos e armas automáticas entraram no ministério pela manhã da última terça, 25.  Durante a tarde do mesmo dia, o Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque, que feriu 21 pessoas e matou três - entre eles, um diplomata, diretor de departamento da pasta.

Um dos terroristas ativou uma bomba no segundo andar do prédio enquanto, no térreo, o outro jihadista provocou uma explosão com a bomba que carregava em uma mala. O terceiro integrante do grupo foi morto pelas forças de segurança, afirmou o porta-voz das forças especiais, Tarak al-Dawass.

A terceira explosão aconteceu do lado de fora, em um veículo localizado próximo ao ministério.

Segundo o site do canal português RTP Notícias, o ministro da Administração Interna da Líbia, Fathi Bach Agha, reconheceu que o país vive um "caos de segurança” e que é "terreno fértil" para o grupo jihadista Estado Islâmico.

O ministro de Relações Exteriores, Mohamed Taher, está seguro, de acordo com um funcionário do ministério. 

Situação política

A Líbia está mergulhada no caos desde a queda do regime de Muamar Khadafi, em 2011, e é dirigida por dois grupos rivais: o GNA, com base em Trípoli, reconhecido pela comunidade internacional, e um gabinete paralelo instalado no leste, apoiado pelo Exército Nacional Líbio (ANL), autoproclamado pelo marechal Jalifa Haftar.

O caos, as divisões causadas pelas lutas de poder e a insegurança crônica facilitaram com que o país se tornasse um refúgio de jihadistas, que realizaram vários ataques nos últimos anos.

Uma conferência internacional sobre a Líbia foi realizada em novembro na Itália - em meio às divisões persistentes entre os líbios -, para tentar fazer com que o país, de 6 milhões de habitantes, engatasse um processo político que levasse a eleições. Mas o boicote de uma das figuras-chave para a estabilização da Líbia, o marechal Haftar, que controla a maior parte do leste do país, enfraqueceu, o encontro internacional desde o início.

Por outro lado, os países europeus, além de se preocuparem com a presença de jihadistas na Líbia, expressaram preocupação com a situação dos migrantes no país. Dezenas de milhares de pessoas tentam ganhar as costas europeias a partir da Líbia, onde os traficantes são muito atuantes.

Iraque

O Iraque foi alvo de um atentado no mesmo dia em que aconteceram as explosões na Líbia. Pelo menos duas pessoas morreram e 11 ficaram feridas após explosão de um carro bomba na cidade de Tal Afar, no norte do país. O local já foi uma fortaleza do Estado Islâmico, de acordo com militares. /AFP, AP, Reuters e Agência Brasil

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