Estado Islâmico avança para cidade na fronteira entre Síria e Turquia

Mais refugiados curdos foram para cidades turcas com o avanço e Ancara fica mais pressionada a agir contra o grupo jihadista

O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2014 | 12h34

SURUC, TURQUIA - O Estado Islâmico (EI) continua avançando em direção à cidade de Kobani, na fronteira entre Síria e Turquia nesta quinta-feira, 2, apesar dos ataques aéreos da coalizão internacional que objetivam enfraquecer o grupo jihadista. Com o avanço, milhares de refugiados curdos foram para a Turquia, deixando Ancara ainda mais envolvida no conflito.

Militantes curdos alertaram que as conversas de paz com o Estado turco serão encerradas caso se permita que os insurgentes islâmicos realizem um massacre na cidade predominantemente curda, o que tem aumentado a pressão sobre o governo turco por uma reação.

Os combatentes do EI assumiram o controle de centenas de vilarejos nos arredores de Kobani, decapitando civis no intuito de sujeitar os moradores pelo terror, e se posicionaram a poucos quilômetros da cidade por três flancos.

No vizinho Iraque, os insurgentes realizaram execuções em massa, raptaram mulheres e meninas, que fizeram de escravas sexuais, e usaram crianças como soldados, violações sistemáticas que podem equivaler a crimes de guerra que exigem processo, declarou a Organização das Nações Unidas (ONU).

As forças lideradas pelos Estados Unidos, que vêm bombardeando alvos do EI em outras partes da Síria desde a semana passada, e no Iraque, atingiram um vilarejo perto de Kobani na quarta-feira. Foram relatados ataques mais ao sul de quarta para quinta-feira, informaram fontes curdas na cidade, mas parecem ter surtido pouco efeito para conter o avanço dos radicais sunitas.

"Partimos porque percebemos que só vai piorar", disse Leyla, uma síria de 37 anos que chegava à passagem de fronteira de Yumurtalik com os seis filhos depois ficar 10 dias em uma área rural, esperando que os conflitos diminuíssem.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede em Londres e monitora a guerra na Síria, declarou que embates intensos entre o EI e os combatentes do grupo curdo Unidades de Proteção do Povo (YPG) ocorriam ao leste e ao sudeste de Kobani nas últimas 36 horas.

O som de uma grande explosão foi ouvido perto da meia-noite no horário local, ao mesmo tempo em que aviões da coalizão sobrevoavam a área, disse a entidade.

Também foram ouvidas cerca de 20 explosões nas áreas da represa de Tishrin e da cidade de Manbij, cerca de 50 quilômetros ao sul de Kobani, resultantes de ataques com mísseis que podem ter sido realizados pela coalizão, segundo o Observatório.

Asya Abdullah, autoridade do primeiro escalão do Partido de União Democrática, principal legenda curda na Síria, disse que houve confrontos no leste, no oeste e no sul de Kobani e o EI chegou a dois ou três quilômetros da localidade por todos os lados. "Se quiserem evitar um massacre, (a coalizão) precisa agir de forma muito mais abrangente", afirmou ela à Reuters por telefone de Kobani, acrescentando que os ataques aéreos em outras partes do país empurraram os jihadistas rumo à cidade fronteiriça.

Votação. O Parlamento da Turquia vota nesta quinta-feira uma moção que permitiria ao governo autorizar incursões militares contra os jihadistas na Síria e no Iraque, além de permitir que as forças da coalizão utilizem o território turco. / REUTERS

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