REUTERS/Romeo Ranoco
REUTERS/Romeo Ranoco

Estado Islâmico decapita policial e Filipinas entram em alerta

Presidente Duterte decreta lei marcial, imposta em caso de emergência ou de perigo, e implica a submissão total das autoridades civis aos comandos militares 

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 16h42

MANILA - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, anunciou nesta quarta-feira, 24, a entrada em vigor da lei marcial na ilha de Mindanau, no sul do arquipelágo, após uma nova ofensiva do grupo extremista Estado Islâmico (EI).       

A decisão foi tomada "pela existência de rebelião" nesta conflituosa ilha onde parte da população é muçulmana. Além disso, combatentes islâmicos decapitaram um chefe de polícia local. 

"O chefe de polícia de Malabang foi parado pelos terroristas quando regressava para casa e creio que o decapitaram no local", declarou Duterte justificando a lei marcial imposta no sul das Filipinas que deve se prolongar por um máximo de 60 dias.       

O polêmico mandatário ainda disse que poderá declarar regime de exceção "em todo o país para proteger a população". A lei marcial, imposta em caso de emergência ou de perigo, implica a submissão total das autoridades civis aos comandos militares. 

Na tarde de terça-feira, os jihadistas ocuparam um hospital e a câmara municipal de Marawi, além de queimar igrejas, um centro educativo e uma prisão, além de assumir uma ponte. Os atos provocaram enfrentamento entre as forças armadas e os terroristas no qual morreram pelo menos três soldados e vários ficaram feridos.       

Hoje, milhares de civis fugiram dos confrontos à medida que tropas tentavam derrotar militantes islâmicos que também tomaram grandes partes de uma cidade, sequestrando cristãos, ocupando e incendiando prédios e libertando diversos prisioneiros. O Estado Islâmico reivindicou responsabilidade pelo tumulto por meio de seu site de propaganda. 

A violência em Marawi teve início na tarde de terça-feira após uma invasão malfeita de forças da segurança contra um esconderijo do Maute, um grupo militante que reivindicou aliança ao Estado Islâmico. Combatentes rapidamente se dispersaram, levando o caos à cidade. 

O presidente disse que o Estado Islâmico deve ser repelido das Filipinas, de maioria cristã, e irá usar todas as maneiras possíveis para derrotar o grupo Maute e seu aliado Abu Sayyaf, sejam quais forem as consequências.

“Qualquer pessoa que esteja segurando uma arma, confrontando o governo com violência, minhas ordens são para não poupar ninguém, vamos resolver os problemas de Mindanao de uma vez por todas”, disse Duterte, que é da ilha, após encurtar uma viagem à Rússia e retornar a Manila.

“Se você acha que deve morrer, você irá morrer. Se você lutar contra nós, você irá morrer. Se houver desafio aberto, você irá morrer, e se isso significa muitas pessoas morrendo, que seja. É assim que é”.

Soldados e guerrilhas montaram pontos de verificação rivais e bloqueios em rotas dentro e nos arredores de Marawi, à medida que cidadãos deixaram a cidade de 200 mil habitantes em grandes grupos, deixando para trás o que uma autoridade descreveu como uma cidade fantasma.

Grandes filas de picapes e jipes abarrotados de pessoas e pertences seguiam lentamente pelas rodovias para cidades próximas, à medida que tropas realizavam buscas em veículos por armas e bombas.

As forças militares informaram ter resgatado 120 pessoas de uma escola e um hospital e que estavam tentando isolar combatentes Maute enquanto aguardavam reforços que estavam sendo bloqueados por rebeldes.

Atiradores de elite maute e armadilhas estavam dificultando as operações, que as forças armadas disseram poder durar mais três dias. / Reuters e Ansa 

 

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