Estado Islâmico destrói novo sítio histórico e Iraque pede ajuda aos EUA

O Estado Islâmico destruiu ontem o terceiro sítio arqueológico assírio em quatro dias no norte do Iraque. Depois de atacar as ruínas de Nimrod e Hatra, militantes do grupo devastaram a antiga cidade de Dur Sharrukin. Após a ofensiva, o governo iraquiano pediu auxílio militar aos Estados Unidos para proteger suas relíquias históricas. Bagdá quer que a Força Aérea americana bombardeie posições do EI na região.

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

09 Março 2015 | 02h06

"A falta de resposta internacional aos grupos terroristas provocou esses ataques", disse o ministro do Turismo iraquiano Adil Shashab, que voltou a pedir uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a questão. "O nosso espaço aéreo não está nas nossas mãos. Está nas mãos dos americanos. Peço à comunidade internacional e à coalizão que bombardeiem os terroristas que estão fazendo isso."

Segundo o Ministério do Turismo do Iraque, militantes do grupo usaram várias escavadeiras para atacar Dur Sharrukin, a exemplo do que fizeram um dia antes em Hatra. Na quinta-feira, o EI também destruiu as ruínas da cidade assíria de Nimrud. Em 26 de fevereiro, militantes do grupo depredaram o Museu da Civilização de Mossul, dedicado à essa civilização que ocupou partes da Mesopotâmia na Antiguidade.

Hoje localizado na cidade de Khorsabad, o sítio arqueológico destruído ontem fica a 15 quilômetros a nordeste de Mossul, capital da província de Nínive, controlada pelos jihadistas desde junho de 2014. Dur Sharrukin foi a capital Assíria no reinado de Sargon II, entre 717 a.C e 715 a.C., quando foi substituída por Nínive. Anos depois o império persa de Sasanida substituiu o nome da cidade pelo atual.

Prejuízo. O governo iraquiano avaliou o prejuízo do fim de semana como irrecuperável. Ainda de acordo com o Ministério do Turismo, o palácio dos reis assírios Senaquerib e Sargon II foram devastado pelas escavadeiras do EI. Outros edifícios e templos também foram destruídos.

Autoridades do governo iraquiano estão tentando examinar a extensão dos danos provocados pelo EI. "Temos a confirmação de que eles destruíram sítios arqueológicos em Hatra e Nimrud, mas não sabemos o tamanho da área que foi devastada", disse Qais Rasheed, chefe do Departamento de Antiguidades do Ministério do Turismo.

Arqueólogos compararam as ações do EI com a destruição dos Budas de Bamiyan, feita pelo Taleban no Afeganistão, em 2001. "A batalha do EI é por identidade", disse o ministro iraquiano Shashab. "Eles querem apagar da região sua herança humanística."

Os radicais do EI consideram as representações e as relíquias históricas assírias como apostasia, uma interpretação que não é compartilhada por estudiosos moderados do Islã.

No sábado, a Agência das Nações Unidas para Cultura e Patrimônio (Unesco) condenou a ação do Estado Islâmico. "A destruição de Hatra marca um momento decisivo da lamentável estratégia de limpeza cultural no Iraque", disse a diretora da Unesco, Irina Bokova.

Segundo a Unesco, as ruínas de Hatra e seus templos com arquitetura greco-romana de influências orientais eram testemunhas da grandeza do patrimônio destruído, que datava do século 2 a.C. / EFE e REUTERS

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