Sergey Ponomarev/The New York Times
Sergey Ponomarev/The New York Times

Estado Islâmico destruiu estátuas do sítio de Tell Ajaja, na Síria

Em 2014 surgiram fotos de extremistas destruindo a marteladas estátuas do primeiro e segundo milênios pertencentes ao patrimônio assírio, divulgado no Iraque e na Síria, onde ocorre uma guerra devastadora desde 2012

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2016 | 07h00

TELL AJAJA, SÍRIA - Tell Ajaja é um dos sítios assírios mais ricos da Síria, mas durante a passagem dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) pelo local, estátuas milenares foram destruídas, além de baixos-relevos que não haviam sido desenterrados.

O EI já devastou um patrimônio inestimável na Síria e no Iraque. O sítio de Tell Ajaja, controlado por jihadistas durante dois anos, conseguiu ser libertado em fevereiro de 2016 quando grupos curdos expulsaram os extremistas da maior parte da Província de Hasake.

Localizado no alto de uma colina e a centenas de quilômetros da fronteira com o Iraque, Tell Ajaja oferece um espetáculo desolador. Ainda longe do local, é possível observar os restos dos objetos destruídos e grandes buracos no chão, resultado dos roubos.

Apesar de a maioria dos tesouros de Tell Ajaja, descobertos no século XIX, estarem em museus sírios e no exterior, os extremistas e outros criminosos levaram indícios ainda desconhecidos. "Foram encontrados objetos desconhecidos, como estátuas e colunas. Muitas coisas foram perdidas", lamenta Mamun Abdulkarim, chefe das Antiguidades sírias.

"Mais de 40% de Tell Ajaja foi destruída ou roubada pelo EI", afirma Jaled Ahmo, diretor de Antiguidades de Hasake. "Os túneis perfurados destruíram níveis arqueológicos inestimáveis", testemunhas da história econômica, social e política da época.

Em 2014 surgiram fotos de extremistas destruindo a marteladas estátuas do primeiro e segundo milênios pertencentes ao patrimônio assírio, divulgado no Iraque e na Síria, onde ocorre uma guerra devastadora desde 2012.

"Com escavadeiras esses bárbaros destruíram páginas da História da Mesopotâmia", destaca Abdulkarim. "Em dois ou três meses reduziram a nada o que teria necessitado 50 anos de trabalhos arqueológicos", acrescenta.

Fotos publicadas no site das Antiguidades mostram objetos danificados ou roubados em Tell Ajaja: baixos-relevos com inscrições em alfabeto cuneiforme, leões e animais alados - inclusive o "lamassu" -, criaturas com cabeça humana e corpo de touro, e leão com asas de águia, cujo objetivo era a defesa contra os inimigos.

A Assíria, com sua capital Nínive (atualmente no Iraque), foi um poderoso império do norte da Mesopotâmia. A arte assíria é particularmente célebre por seus relevos que recriam cenas de guerra.

"Tell Ajaja ou a antiga Shadicanni era uma das principais cidades assírias." no território sírio atual, explica Sheijmus Ali, da Associação para a Proteção da Arqueologia Síria (APSA). "O EI transformou a colina em zona militar", conta um morador do local sob o pseudônimo de Jaled, que acrescenta: "ninguém tinha direito de entrar sem autorização".

"Verdadeiras hordas de homens armados entravam acompanhados de traficantes de objetos arqueológicos", assegura outro habitante, Abu Ibrahim.

Tell Ajaja era conhecida como Tell Araban na época islâmica. Mas, lamentavelmente, "as camadas mais altas que se remontam a essa era também foram arrasadas", afirma Jaled Ahmo. Inúmeros vestígios foram contrabandeados através da Turquia para a Europa, segundo Abdulkarim, que alertou a Interpol.

Veja abaixo: Destruição em Palmyra após controle do Estado Islâmico

Desde sua ascensão militar em 2014, o EI devastou muitos sítios mesopotâmicos no Iraque (Hatra e Nimrud) e na Síria, alguns classificados como patrimônio mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Na Síria, mais de 900 monumentos ou sítios arqueológicos foram afetados, seriamente danificados ou destruídos pelo regime, pelos rebeldes ou extremistas, segundo a APSA. / AFP

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