AP Photo/Manu Fernandez
AP Photo/Manu Fernandez

Estado Islâmico diz que atentados na Espanha foram contra 'cruzados e judeus'

Segundo comunicado, 'vários jihadistas' fizeram os ataques simultaneamente em 'dois grupos' separados; polícia da Catalunha caça foragido

Andrei Netto, Correspondente

19 Agosto 2017 | 08h35

BARCELONA - O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) afirmou, neste sábado, 19, que os ataques perpetrados na Espanha, que deixaram 14 mortos e mais de 100 feridos na quinta-feira, 17, foram contra os "cruzados e judeus".

Em um comunicado divulgado pelo grupo terrorista na rede de mensagem Telegram, o EI afirmou que 'vários jihadistas' fizeram os ataques simultaneamente em 'dois grupos' separados.

"Com a ajuda de Deus, na quinta-feira passada, 17, vários jihadistas em dois grupos de maneira simultânea tiveram como alvo os lugares dos cruzados na Espanha", afirma a nota, cuja autenticidade não pôde ser verificada.

O grupo radical disse que os ataques, perpetrados tanto em Barcelona como em Cambrils (Tarragona), e que deixaram mais de 120 feridos "cruzados e judeus" dos "países da coalizão cruzada", em alusão à aliança internacional, liderada pelos Estados Unidos, que luta contra o EI no Iraque e a Síria.

"Os jihadistas do primeiro grupo tiveram como alvo um grupo de cruzados com um veículo na rua de La Rambla em Barcelona", indicou o EI.

A nota assegura que foram atropelados "dois agentes" uniformizados "em um posto policial"; e depois, "invadiram com armas levesum bar situado perto de La Rambla, matando e torturando quem estavam no seu interior". Esta informação foi desmentida pela polícia horas após o atentado.

Segundo o comunicado divulgado, neste sábado, pelo grupo terrorista, o "outro grupo atropelou vários cruzados com um veículo em Cambrils".

Horas após o atentado perpetrado em Barcelona, a agência usada pelos terroristas "Amaq", publicava um livre comunicado assegurando que "uma fonte de segurança afirmou à Amaq que os autores do ataque de Barcelona são soldados do Estado Islâmico".

No entanto, não fazia nenhuma referência ao ataque que havia sido perpetrado pouco depois em Cambrils.

Buscas. A polícia da Catalunha lançou uma operação de caça a Younes Abouyaaqoub, um marroquino de 22 anos considerado o principal suspeito de ter cometido o atentado de Barcelona. Morador da cidade de Ripoll, a 110 quilômetros ao norte da capital regional, o jovem seria integrante da célula terrorista que planejou ataques à bomba, acabou lançando o duplo atentado usando um furgão, na metrópole, e um automóvel na cidade balneária de Cambrils, na madrugada de sexta-feira.

A cidade de Ripoll é considerada pelas autoridades catalãs como uma das bases da célula terrorista ligada ao movimento jihadista Estado Islâmico. Lá foram presos dois outros suspeitos de terem ligações com o grupo, Driss Oukabir, irmão de Moussa Oukabir, morto pela polícia em Cambrils, e Salah el Karib. Moussa foi durante 48 horas considerado o principal suspeito de ser o motorista da van que atacou o calçadão de Barcelona, porque o veículo havia sido alugado em nome de seu irmão, usando sua carteira de identidade, que, segundo Driss, havia desaparecido.

A nova hipótese principal, no entanto, é de que Younes Abouyaaqoub seja o condutor do veículo usado na capital. Segundo o chefe da Mossos d’Esquadra, a polícia regional catalã, Josep Lluís Trapero, a chance de o motorista do furgão ter conseguido fugir de Barcelona e se juntar ao grupo que atacou cerca de oito horas em Cambrils, a 120 quilômetros ao sul, é muito remota.

Dos 12 supostos membros da célula terrorista catalã, Abouyaaqoub é o único desaparecido. Dos demais, quatro foram sido presos, dois foram mortos na explosão acidental em uma casa em Alcanar, a 200 quilômetros ao sul de Barcelona, onde explosivos estariam em fabricação artesanal; os cinco restantes foram executados pela polícia durante o atentado de Cambrils, que deixou um morto na madrugada de sexta. 

Além do paradeiro do suposto motorista de Barcelona, entre as incógnitas da investigação estão as circunstâncias do assassinato de Pau Pérez, de 34 anos, um homem encontrado morto por esfaqueamento no interior de um Ford Focus na cidade de Sant Just Desvern, na periferia de Barcelona. O automóvel é o mesmo que havia fugido de uma blitz policial em uma grande avenida da capital na quinta-feira, pouco depois do principal atentado. A suspeita é de que o Focus tenha sido usado na fuga pelo terrorista. A hipótese principal é que o proprietário, Pérez, tenha sido sequestrado, roubado e morto pelo assassino de Barcelona.

Mesmos com a caçada ao foragido, o Ministério do Interior espanhol e as autoridades da Catalunha não elevaram o alerta de risco iminente de atentado ao seu grau máximo – ele permanece 4 em uma escala de 5./ EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.