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Estado Islâmico diz que dois autores dos ataques em Paris são iraquianos

Os suspeitos, que podem ser os homens-bomba que tentaram atacar o Stade de France e cujas identidades eram desconhecidas, foram identificados como Ukashah al-Iraqi e Ali al-Iraqi

O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 12h23

PARIS - O Estado Islâmico publicou fotos de nove militantes que o grupo alega terem realizado os ataques de 13 de novembro em Paris, entre os quais dois deles identificados como iraquianos, segundo o grupo de monitoramento Site. Os atentados na capital francesa deixaram 130 mortos e mais de 350 feridos

Os dois, até agora desconhecidos, foram identificados na revista "Dabiq", distribuída digitalmente como prograganda do Estado Islâmico, como "Ukashah al-Iraqi" e "Ali al-Iraqi", que significa "Ukashah, o iraquiano" e "Ali, o iraquiano", em árabe.

Os dois podem ser os homens-bomba que tentaram atacar o Stade de France. Eles estavam com passaportes sírios, considerados forjados e não puderam ser formalmente identificados.

Em 13 de novembro, nove homens, divididos em três grupos, atacaram um estádio, restaurantes e uma casa de shows. Sete haviam sido identificados. Um mandado de prisão, no entanto, foi emitido para um dos homens, Salah Abdeslam, que teria sobrevivido ao ataque e à operação da polícia e fugido de volta para a Bélgica e depois desaparecido. 

Recrutamento. Quatro de cada dez franceses que em 2015 partiram para Síria ou Iraque para se unir às fileiras do EI são mulheres, revelou nesta quarta-feira, 20, a emissora "BFM TV", segundo a qual costumam ser jovens, doutrinadas através da internet.

Dos 315 franceses que no ano passado decidiram ir para a chamada "guerra santa" (a jihad), 69 a menos que em 2014, 140 foram mulheres, 40 a mais que no ano anterior.

No total, calcula-se que 220 francesas integram a organização terrorista, das cerca de 600 pessoas que compõem o contingente francês desse grupo.

"Não estão especialmente seduzidas pelo combate em si, mas pelo aspecto matrimonial, ou seja, encontrar um marido que elas imaginam confiável, seguro", explica o psicanalista e especialista em jihadismo Patrick Amoyel.

Esse fenômeno não é novo mas, segundo o canal, acelerou em 2015, especialmente através dos atentados, nos quais emergiram figuras femininas ou foram destacadas na propaganda do EI, suscitando "novas vocações".

Um exemplo é Hasna Aitboulahcen, prima do suposto cérebro dos ataques de meados de novembro em Paris, Abdelhamid Abaaoud, que ajudou os terroristas a encontrarem um apartamento para se refugiar e faleceu no ataque policial a esse local em Saint-Denis, nos arredores da capital.

O autor do livro "Jihad Academy", Nicolas Hénin, explicou à "BFM TV" que o EI recruta afirmando que a França "humilha" essas pessoas, que o grupo vai "restabelecer seu orgulho" pondo o país "de joelhos", o que reforça o atrativo dessa organização. / REUTERS, EFE, AFP e AP

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