Bulent Kilic/ AFP
Bulent Kilic/ AFP

Estado Islâmico estaria recrutando crianças em Mossul, diz entidade da ONU

Militantes disseram aos moradores da região de Hammam al-Alil que deveriam entregar seus menores, especialmente os meninos com mais de 9 anos, segundo porta-voz de direitos humanos das Nações Unidas

O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2016 | 13h59

GENEBRA - Militantes do Estado Islâmico (EI) mataram centenas de pessoas, incluindo 50 desertores e 180 ex-funcionários do governo iraquiano, nas redondezas de seu reduto em Mossul, disse nesta sexta-feira, 4, a porta-voz de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) Ravina Shamdasani.

Eles transportaram 1,6 mil civis sequestrados da cidade de Hammam al-Alil para Tal Afar na terça-feira, possivelmente para usá-los como escudos humanos contra ataques aéreos, e alguns podem ter sido levados para a Síria. O grupo também levou 150 famílias de Hammam al-Alil para Mosul na quarta-feira.

"O Estado Islâmico supostamente usou alto-falantes para ordenar que moradores dos vilarejos de Lazaghah e Arij, a cerca de 5 quilômetros do centro da cidade de Hammam al-Alil, deixassem seus vilarejos, caso contrário seriam severamente punidos", disse Ravina.

Militantes disseram a moradores de Hammam al-Alil que deveriam entregar suas crianças, especialmente meninos acima de 9 anos, no que aparentou ser um recrutamento de crianças soldados. "Eles têm batido em portas e pedido por meninos", disse, acrescentando que famílias que não obedeceram foram ameaçadas de punições.

Os 50 desertores foram executados na segunda-feira na base militar de Ghazlani, em Mossul, e os 180 ex-trabalhadores morreram na quarta-feira, à medida que os jihadistas saíam da cidade de Kokjali, disse Ravina durante entrevista coletiva da ONU em Genebra, citando "relatos com credibilidade" de múltiplas fontes, incluindo de áreas ocupadas pelo EI.

Ofensiva. Tropas do Serviço Antiterrorismo do Iraque capturaram seis distritos do leste de Mossul das mãos de militantes do EI, segundo um comunicado militar divulgado nesta sexta-feira.

De acordo com a nota, tropas da unidade de elite iraquiana assumiram o controle das áreas de Malayeen, Samah, Khadra, Karkukli, Quds e Karama.

Os militares hastearam a bandeira iraquiana sobre prédios nos bairros e infligiram fortes perdas ao grupo militante, segundo o comunicado. / REUTERS

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