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Estado Islâmico mostra reféns japoneses em vídeo e pede US$ 200 mi

Grupo extremista diz que Japão não deve apoiar a coalizão internacional; premiê japonês classifica ameaça como 'inaceitável'

O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2015 | 09h16

 

DUBAI - O grupo extremista Estado Islâmico (EI), que controla faixas dos territórios de Síria e Iraque, publicou nesta terça-feira, 20, um novo vídeo na Internet ameaçando matar dois prisioneiros japoneses, caso não recebam US$ 200 milhões do governo japonês.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, cancelou a viagem que realizava pelo Oriente Médio, declarou que a ameaça era "inaceitável" e afirmou que o país faria o máximo ao seu alcance para assegurar a libertação segura dos prisioneiros.

Questionado durante uma entrevista em Jerusalém se o Japão pagaria o resgate para garantir a libertação dos dois prisioneiros, Abe respondeu: "Em relação a este caso, damos a máxima prioridade a salvar vidas e a colher informações com a ajuda de outros países. Nos esforçaremos ao máximo para salvar as vidas (dos prisioneiros) de agora em diante."

No vídeo, sem data exibida, um homem em pé em uma área deserta, vestido de negro e segurando uma faca, ao lado de dois homens ajoelhados vestidos com roupas laranjas, diz que o público japonês tinha 72 horas para pressionar seu governo a interromper o "tolo" apoio à coalizão internacional liderada pelos EUA, que conduz uma campanha militar contra o EI.

O jihadista, que falava em inglês, exigiu "200 milhões", sem especificar a moeda, mas uma legenda em árabe identificava a divisa como dólares. O vídeo identificava os dois homens reféns como Haruna Yukawa e Kenji Goto.

Em uma visita ao Cairo no sábado 17, Abe prometeu cerca de US$ 200 milhões em assistência não militar para os países que combatem o grupo extremista.

O premiê disse em Jerusalém que o Japão manteria a ajuda. "O Japão vai contribuir o quanto for possível em áreas não militares, incluindo a provisão de apoio a refugiados do Iraque e Síria. Os US$ 200 milhões em auxílio anunciados pelo Japão são ajuda humanitária destinada a fornecer alimentos e serviços médicos para salvar aquelas pessoas na região que perderam suas casas e se tornaram refugiados."

Em Tóquio, o chanceler japonês disse estar verificando o vídeo para saber se a gravação é verdadeira. "Tal ameaça por meio da tomada de prisioneiros é inaceitável e estamos extremamente ofendidos", afirmou o chanceler.

Goto é um repórter freelance. Ele escreveu livros sobre Aids e crianças em zonas de guerra do Afeganistão à África e reportou para redes de notícias no Japão. Ele se encontrou com Yukawa no ano passado e o ajudou a viajar para o Iraque em junho.

O vídeo tem o mesmo aspecto de outros divulgados por veículos do EI, em que prisioneiros são ameaçados ou mortos. /REUTERS

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