AFP PHOTO / BULENT KILIC
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Estado Islâmico obriga famílias a irem a Mossul para usá-las como escudos humanos

ONU pede que autoridades iraquianas façam com que a proteção dos civis seja uma prioridade na retomada da região

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2016 | 11h54

GENEBRA - O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) está obrigando moradores da periferia de Mossul a se transferirem para a cidade com o objetivo de utilizá-los como escudos humanos, frente ao avanço das forças governamentais iraquianas que tratam de recuperar o controle da cidade, denunciou nesta sexta-feira, 21, a ONU.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU indicou que verificou informações relacionadas à mudança de mais de 500 famílias de duas áreas periféricas, forçadas pelos jihadistas. "Confirmamos por meio de distintas fontes que o Estado Islâmico está obrigando as pessoas a deixarem seus lares para ir a Mossul", afirmou a porta-voz Ravina Shamdasani.

Uma vez na cidade, os civis são localizados "perto dos escritórios do EI e dos lugares onde operam para que lhes sirvam como escudos humanos", enquanto os que estão na cidade são impedidos de sair, acrescentou.

A entidade pediu às autoridades iraquianas que façam com que a proteção dos civis seja uma prioridade no plano militar para retomar Mossul.

A ONU recomendou que o procedimento para verificar as identidades dos civis que conseguem sair da cidade, para evitar que entre eles se infiltrem membros do EI, esteja exclusivamente nas mãos de entidades competentes, como militares e policiais.

Além disso, foram recebidas denúncias sobre a detenção de menores de idade, a partir dos 15 anos, pois teme-se que possam ter sido doutrinados pelo grupo terrorista e sejam capazes de realizar algum atentado. A ONU exigiu às autoridades iraquianas que tratem essas pessoas “como crianças e não como combatentes".

Ravina disse também que recebeu informação sobre a recente execução de 40 pessoas pelas mãos de militantes do EI, mas não há detalhes sobre a identidade das vítimas ou as causas pelas quais teriam sido assassinadas.

Neste contexto, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que o número de deslocados de Mossul ainda é limitado - com 3,9 mil pessoas registradas - às que deixaram a cidade e chegaram aos distritos de Al Hamdaniya.

A ONU prepara seis acampamentos para receber 45 mil pessoas e planeja abrir outros 11 com uma capacidade total de 120 mil deslocados.  / EFE

Veja abaixo: Obama alerta para batalha 'difícil' em Mossul

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