AFP PHOTO / BULENT KILIC
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Estado Islâmico perde o controle de seu principal reduto na Síria

Queda da cidade de Raqqa representa uma grande derrota para os jihadistas, que veem seu califado desmoronar em razão das muitas ofensivas para expulsá-lo das regiões conquistadas a partir de 2014

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2017 | 09h40
Atualizado 18 Outubro 2017 | 03h48

RAQQA, SÍRIA - A cidade de Raqqa, ex-capital do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria, foi completamente tomada nesta terça-feira, 17, pela aliança de combatentes curdos e árabes apoiada pelos EUA.

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A queda de Raqqa, anunciada por um porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS), representa uma grande derrota para o grupo jihadista, que tem visto seu califado desmoronar na Síria e no Iraque em razão das muitas ofensivas para expulsá-lo das regiões conquistadas a partir de 2014.

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"As operações militares em Raqqa terminaram (...). A cidade está sob controle total" das FDS, afirmou o porta-voz da aliança, Talal Sello. "Agora começam as operações de rastreamento para eliminar as células dormentes, se encontrarmos, e para retirar as minas terrestres na cidade.” Segundo ele, as FDS devem "publicar um comunicado oficial para anunciar a libertação da cidade".

Esta manhã, as forças curdo-árabes tomaram o hospital e o estádio municipal no centro de Raqqa, os dois últimos redutos onde dezenas de jihadistas estrangeiros estavam entrincheirados.

Símbolo das atrocidades

Raqqa se tornou o símbolo das atrocidades cometidas pelo grupo extremista. Nesta cidade teriam sido planejados atentados contra vários países, principalmente na Europa.

Na noite de segunda-feira, as FDS anunciaram a "libertação total" do famoso cruzamento de Al-Naim, onde o EI realizava suas execuções quando controlava a cidade. "Há semanas os jihadistas se retiraram deste cruzamento, mas as FDS não conseguiram controlá-lo antes em razão das muitas minas terrestres", segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Nos últimos dias, em virtude de um acordo negociado pelos líderes locais e representantes tribais, os civis que estavam presos na cidade puderam ser retirados e os extremistas sírios foram autorizados a deixar a cidade, segundo as FDS.

Cerca de 275 jihadistas sírios e suas famílias foram retirados. Não há informações, neste momento, se foram autorizados a ir para outras regiões ainda sob controle do EI. A coalizão internacional liderada por Washington reiterou em diversas ocasiões que os estrangeiros não seriam autorizados a deixar Raqqa.

"A última coisa que queremos é que os combatentes estrangeiros sejam libertados e possam retornar ao seu país de origem e causar mais terrorismo", assegurou, no domingo, o porta-voz da coalizão, o coronel americano Ryan Dillon.

Há vários meses, a organização jihadista tem sofrido sucessivas derrotas na Síria e no Iraque, diante das ofensivas apoiadas pela Rússia e pelos EUA. Nas últimas semanas, cerca de 400 militantes dos EI se renderam. 

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Na Província de Deir es-Zor (leste), vizinha de Raqqa, os jihadistas também enfrentam duas ofensas distintas: por um lado, as forças do regime sírio, apoiadas pela aviação russa; do outro, as FDS, apoiadas pela coalizão internacional.

As forças pró-regime conseguiram recuperar vastos territórios entre a capital provincial de Deir es-Zor e a cidade de Mayadin, na margem oriental do rio Eufrates, informou o OSDH. "Não é uma região desértica, trata-se de localidades no rio Eufrates que foram redutos do EI", garantiu o diretor da OSDH, Rami Abdel Rahmane. Os combates continuam em uma única localidade na área.

Iniciada em 2011 pela repressão do governo de Bashar Assad aos protestos pacíficos que pediam por democracia, o conflito na Síria tornou-se mais complexo com o envolvimento de países estrangeiros e grupos jihadistas em um território cada vez mais fragmentado. A guerra no país já causou mais de 330 mil mortes e milhões de deslocados e refugiados. / AFP

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