EFE
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Estado Islâmico publica vídeo com execução de jordaniano

Exército da Jordânia informou a família do piloto de 26 anos capturado pelo grupo islâmico em dezembro que ele morreu

O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2015 | 15h14


(Atualizado às 18h20)

AMÃ - O Estado Islâmico (EI) publicou ontem na internet um vídeo que mostra a execução do tenente jordaniano Moaz Al-Kasasbeh, de 26 anos, refém do grupo extremista desde 24 de dezembro, quando o caça que pilotava caiu na Síria, próximo à cidade de Raqqa – capital de facto do autointitulado “califado”. O governo da Jordânia confirmou a morte de Al-Kasasbeh e disse que a execução ocorreu em 3 de janeiro.

Um porta-voz das Forças Armadas jordanianas confirmou a morte do “piloto herói” e prometeu vingança. “Enquanto as forças militares lamentam a perda do mártir, eles enfatizam que seu sangue não será derramado em vão. Nossa punição e vingança serão tão grandes quanto a perda dos jordanianos”, disse ele em declaração lida na TV estatal.

O rei Abdullah II, da Jordânia, interrompeu uma visita oficial aos Estados Unidos ontem depois que militantes do Estado Islâmico divulgaram vídeo alegando mostrar o piloto jordaniano sendo queimado vivo. "Sua Majestade o Rei, o supremo comandante das Forças Armadas, interrompeu sua visita aos EUA após receber a notícia do martírio do piloto herói", anunciou a TV estatal.




Segundo um comunicado emitido ontem pelo grupo de inteligência e monitoramento SITE, o vídeo de 22 minutos inclui supostas imagens do piloto mostrando sinais de ter sido espancado, incluindo um olho preto. No fim, um homem que aparenta ser o tenente jordaniano vestindo uma túnica laranja e de pé no meio de uma jaula colocada em um pátio. Em seguida, um jihadista mascarado acende uma trilha de combustível que leva até o prisioneiro.

O vídeo traz também ameaças a outros pilotos jordanianos, que os militantes islamitas alegam ter como prisioneiros.

Al-Kasasbeh fez parte da campanha aérea da coalizão internacional contra grupos radicais islâmicos no Oriente Médio liderada pelos Estados Unidos. Logo após sua captura, no fim do ano passado, o EI publicou imagens dele cercado por militantes, logo após ser tirado de um lago, onde seu caça caíra.


O presidente dos EUA, Barack Obama, disse após a divulgação do vídeo que essa é “apenas mais uma indicação da crueldade e barbaridade dessa organização”. “(Isso) Redobrará a vigilância e determinação por parte da coalizão para garantir que eles sejam degradados e definitivamente derrotados”, declarou ele, na Casa Branca.

Troca. A imprensa americana relatou ontem que autoridades da Jordânia teriam transferido a iraquiana Sajida al-Rishawi, condenada à morte no país, para um centro de detenção onde são executadas as penas capitais. A libertação de Sajida era uma das exigências do E I para a libertação do piloto.

Kasasbeh, aparentemente, era mantido preso junto com o jornalista japonês Kenji Goto, executado no fim de semana. Amã aceitou trocar Sajida por Goto e Kasasbeh, mas aparentemente a negociação ficou congelada porque a Jordânia exigiu uma prova de que o piloto estava vivo. No vídeo da decapitação de Goto, o EI não menciona o militar jordaniano.


A libertação da iraquiana Sajida al-Rishawi, presa na Jordânia desde 2005 por participar de um atentado no país, é uma velha exigência jihadista, que o EI voltou a pôr sobre a mesa de negociações.

Em 9 de novembro de 2005, Sajida e seu marido, também de nacionalidade iraquiana, entraram com cintos de explosivos no Hotel Radisson SAS, em Amã, para matar o maior número possível de pessoas.

Segundo a confissão dela, que em 2007 foi condenada à morte na forca, seu marido detonou a carga que levava encostada ao corpo, mas ela foi incapaz de ativar o mecanismo de seu cinto explosivo.

O atentado, ao lado de mais dois cometidos simultaneamente por outros dois suicidas em hotéis da capital jordaniana, causaram a morte de 60 civis e deixaram 90 feridos.

Sajida, que tinha 35 anos quando foi detida, declarou-se “inocente” durante o julgamento no qual seus advogados solicitaram, sem sucesso, uma “verificação das condições mentais e psicológicas” da acusada. / AP, AFP, REUTERS e W. POST

 

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