Estado Islâmico reivindica atentado contra consulado dos EUA no Iraque

Carro-bomba. Ataque deixa 3 mortos na cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano, mas não atinge funcionários da representação diplomática americana; ofensiva ocorre dias após Barack Obama anunciar ajuda extra ao governo de Bagdá para combater grupo

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2015 | 02h07

O Estado Islâmico reivindicou ontem a autoria de um atentado contra o Consulado dos Estados Unidos em Erbil, no Curdistão iraquiano, que deixou ao menos três mortos. Também se responsabilizou pelos ataques contra dois bairros de Bagdá, que mataram 28 pessoas. O Departamento de Estado afirmou que nenhum funcionário dos EUA foi morto na explosão.

"Os combatentes do Estado Islâmico detonaram dois carros-bomba no coração da capital iraquiana e um terceiro em Erbil", disse o grupo em comunicado publicado na internet.

A explosão em Erbil, seguida de uma breve troca de tiros, levantou uma grande coluna de fumaça no Distrito de Ankawa, um bairro predominantemente cristão que abriga vários cafés e é popular entre estrangeiros. As forças de segurança que protegiam a sede diplomática abriram fogo contra o suicida e conseguiram impedir que batesse o veículo contra o complexo.

"Um carro-bomba explodiu do lado de fora da entrada do consulado americano", disse o prefeito de Erbil, Nihad Qoja. "Parece que o consulado era o alvo." O chefe de segurança de Ankawa disse que 3 pessoas morreram e 14 ficaram feridas no ataque. Um dos mortos é de nacionalidade turca. Dois dos feridos são membros das forças de segurança.

Um prédio próximo, onde vivem diplomatas americanos, não foi afetado pela explosão, que causou danos materiais em lojas e casas dos arredores.

Bagdá. O veículo explodiu perto do consulado - que estava fechado por ser sexta-feira - e da delegacia da região de Ankawa. As forças de segurança se deslocaram para o local do atentado e fecharam os acessos à área.

Em Bagdá, as explosões ocorreram no leste da cidade. O atentado mais sangrento ocorreu no bairro xiita de Al-Habibiya, onde um carro-bomba explodiu perto de uma loja de automóveis deixando 15 mortos e 34 feridos, além de danos materiais.

Um segundo veículo carregado de explosivos foi detonado no bairro de Al-Amil, no sul de Bagdá, causando a morte de 13 pessoas e ferimentos em outras 24.

As fontes de segurança acrescentaram que o número de vítimas dos dois atentados é provisório, pois é grande número de feridos que se encontram em estado crítico. Um terceiro atentado ocorreu no sul da capital e atingiu uma patrulha de soldados sunitas conhecidos como Sahwa. Ao menos dois soldados morreram.

Após retroceder em razão do avanço de tropas iraquianas apoiadas por bombardeios americanos, o Estado Islâmico começou a reagir nas últimas semanas. Na quarta-feira, o grupo conseguiu tomar o controle de várias zonas do leste de Ramadi, capital da Província de Anbar, no oeste do Iraque.

Essas conquistas foram obtidas após intensos combates com as tropas do governo iraquiano, que deixaram dezenas de feridos entre os militares. Os soldados do Exército e da polícia iraquianos se retiraram totalmente dessas zonas, e os jihadistas explodiram as delegacias e quartéis.

Segundo fontes do Exército iraquiano, Ramadi pode cair completamente nas mãos dos extremistas se não chegarem reforços militares urgentes para conter o avanço do Estado Islâmico.

O grupo radical também destruiu uma série de artefatos históricos no norte do Iraque antes de retroceder.

Essa ofensiva jihadista ocorre depois que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na terça-feira uma ajuda humanitária adicional de US$ 200 milhões para o Iraque e destacou a recuperação de territórios que antes eram controlados pelo Estado Islâmico nesse país árabe.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos disse ontem que o grupo jihadista perdeu entre 25% e 30% do território que tinha conseguido dominar no Iraque.

Obama recebeu na Casa Branca no começo da semana o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, para discutir, entre outros assuntos, sobre o desenvolvimento da campanha militar contra o EI no Iraque.

O país é palco desde junho de 2014 de uma guerra contra o Estado Islâmico, que nessa data conquistou amplas partes do território iraquiano e proclamou um califado nas áreas sob seu controle no país e na Síria. / AP, REUTERS e EFE

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