Rahmat Gul/AP
Rahmat Gul/AP

Atentado em centro de registro de eleitores em Cabul mata 57 e fere mais de 100; EI assume autoria

Explosão destruiu carros e estilhaçou janelas em prédios próximos; uma série de ataques tem como objetivo atrapalhar os preparativos para as eleições no Afeganistão, que serão realizadas em outubro

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2018 | 03h33
Atualizado 22 Abril 2018 | 18h26

CABUL - Um suicida detonou uma bomba em um centro de registro de eleitores em Cabul neste domingo, 22, matando 57 pessoas e ferindo ao menos 119, em um grave ataque em meio aos preparativos para as eleições de outubro.

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A explosão destruiu carros e estilhaçou janelas em prédios da região, deixando destroços pelas ruas. Há ao menos 21 mulheres e 5 crianças entre os mortos, segundo o porta-voz do Ministério da Saúde, Wahid Majrooh, acrescentando que o número total de vítimas ainda pode aumentar. Além disso, 47 mulheres e 16 crianças estão entre os feridos.

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O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do atentado contra um projeto importante para a credibilidade do presidente Ashraf Ghani, que vem sendo pressionado pela comunidade internacional para garantir a realização de eleições parlamentares neste ano.

O porta-voz do Ministério do Interior, Najib Danesh, disse que o militante chegou a pé ao centro, onde autoridades estavam emitindo cartões de identidade como parte do processo de registro de eleitores.

"Agora sabemos que o governo é incapaz de nos proteger", gritou um homem chamado Akbar, insultando o presidente, antes de o canal Tolo News interromper a transmissão. "Morte ao governo", "morte aos taleban", gritava a multidão ao seu redor, mostrando cédulas ensanguentadas e espalhadas pelo chão.

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"As pessoas estavam vindo recolher suas cédulas de identidade quando ocorreu a explosão na entrada. Era um homem-bomba", declarou o chefe de polícia de Cabul, Dawood Amin. Ghani emitiu um comunicado condenando o ataque e disse que essa ação “não pode nos desviar de nossos objetivos ou enfraquecer esse processo nacional democrático”.

O registro dos eleitores começou neste mês, mas uma série de ataques tem como objetivo atrapalhar os preparativos. "A insegurança é nosso principal desafio e nossa maior preocupação", disse o presidente da comissão, Abdul Baie Sayad.

A eleição muito provavelmente deve ser adiada até 2019, a não ser que se consiga registrar os milhões de eleitores, muitos dos quais nem possuem cartões de identidade.

De acordo com números da ONU, mais de 750 pessoas foram mortas ou feridas em ataques suicidas e atentados a bomba por grupos militantes desde o início do ano até março. / AFP e REUTERS

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