Thaier al-SudaniReuters
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Estado Islâmico reivindica autoria de ataques que mataram 32 em Bagdá

Dois ataques simultâneos foram o mais mortífero atentado em três anos na capital iraquiana, que ocorreu um dia após a posse do novo presidente americano, Joe Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 21h35

BAGDÁ - Dois ataques simultâneos de homens-bomba mataram 32 pessoas e feriram 110, em Bagdá, no mais mortífero atentado em três anos na capital iraquiana, que ocorreu um dia após a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.  O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria dos ataques na noite desta quinta-feira, 21. 

Segundo o Ministério do Interior, um primeiro homem acionou seu cinto de explosivos no meio de um mercado de roupas usadas, na Praça Tayaran. Enquanto uma multidão se formava para tentar ajudar as vítimas, um segundo homem-bomba detonou seu artefato.

O atendimento dos feridos era caótico, pois os hospitais estão lotados com pacientes infectados pela covid-19. O Ministério da Saúde colocou todo o pessoal médico em alerta máximo. Na praça, um dos locais mais movimentados de Bagdá, soldados e paramédicos removiam os corpos e ajudavam os feridos. 

Há três anos, no mesmo lugar, um ataque semelhante matou 31 pessoas. Como em 2018, o atentado de ontem coincidiu com os preparativos das autoridades para a organização das eleições legislativas, que no Iraque costumam registrar atos de violência.

O presidente iraquiano, Salam Saleh, disse em sua conta no Twitter que os ataques são “tentativas malignas de abalar a estabilidade do país”. Já a missão de paz da Organização das Nações Unidas disse que “um ato tão deplorável não vai prejudicar a marcha do Iraque para a estabilidade e prosperidade”.

O papa Francisco lamentou “este ato de brutalidade sem sentido”. Em um telegrama ao presidente Saleh, ele afirmou que reza “pelas vítimas, suas famílias, pelos feridos e pelas equipes de emergência”. O pontífice pretende visitar o Iraque no início de março.

No passado, o EI já tinha recorrido a esta forma de operar: um terrorista suicida, seguido de um segundo que se faz explodir quando as pessoas se reúnem para ajudar os feridos. O grupo ocupou quase um terço do Iraque em 2014, mas no final de 2017, Bagdá assegurou ter ganhado a guerra contra os jihadistas. 

Desde então, as células terroristas se refugiaram em áreas montanhosas e desérticas do país. O atentado ocorre após os EUA terem reduzido o número de seus soldados no Iraque para 2,5 mil, uma queda que “reflete o aumento da capacidade do Exército iraquiano”, disse o Pentágono quando anunciou a redução, no ano passado. 

Essa redução “não significa uma mudança na política dos Estados Unidos”. “Os EUA e as forças da coalizão permanecem no Iraque para garantir uma derrota duradoura do Estado Islâmico”, afirmou o Pentágono na ocasião. Quase todas as tropas dos outros membros da coalizão deixaram o país no início da pandemia do novo coronavírus./ AFP

 

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