Estado Islâmico reivindica autoria de atentado terrorista em Londres

Ataques com van e facas deixaram ao menos sete mortos e 48 feridos; primeira-ministra britânica endureceu o tom em discurso neste domingo

O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2017 | 18h59
Atualizado 04 de junho de 2017 | 22h57

LONDRES - O Estado Islâmico assumiu neste domingo, 4, a autoria do atentado de sábado em Londres, que deixou sete mortos e 48 feridos – 21 em estado grave. A polícia britânica, que conseguiu abater os três terroristas em menos de 10 minutos, anunciou a prisão de 12 envolvidos, mas ainda não identificou os autores da ação. Uma mesquita londrina, no entanto, garante que baniu um deles por mau comportamento dois meses atrás.

Por meio de seu site de propaganda Amaq, o EI disse que o ataque foi promovido por “soldados do grupo”. “Um destacamento de combatentes do EI promoveu o ataque de Londres”, afirma a mensagem, segundo Rita Katz, diretora do Site Intel Group, que monitora a ação de jihadistas na internet. A palavra “destacamento”, segundo a diretora, mostra que o atentado foi provavelmente coordenado com o grupo, e não apenas inspirado nele.

A polícia britânica matou os três terroristas em apenas 8 minutos, a partir do momento em que foi acionada. Ao todo, os oficiais dispararam 50 vezes – um número considerado alto para os padrões londrinos. Os investigadores disseram que só divulgarão os nomes dos três agressores “quando for operacionalmente possível”. Prisões. A mesquita de Jabir bin Zayd, na zona leste de Londres, no entanto, diz que expulsou um dos terroristas, que teria interrompido um sermão aos gritos de que “votar não era islâmico”. O nome do suspeito não foi divulgado, mas os vizinhos acreditam se tratar da mesma pessoa porque a polícia vasculhou seu apartamento logo após o ataque. 

De acordo com autoridades britânicas, 12 pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento no atentado. Sete dos detidos são mulheres e cinco, homens. Segundo a polícia, os suspeitos têm idades variadas, de 19 a 60 anos. Um homem de 55 anos foi liberado sem acusação formal. As investigações e os mandados de busca, que prosseguiram durante todo o domingo, continuarão nesta segunda-feira em vários endereços do Reino Unido.

Autoridades britânicas também não divulgaram as identidade das vítimas, o que ainda pode demorar algum tempo. No entanto, os governos de Canadá e França já anunciaram que há pelo menos um cidadão de cada país entre os mortos. Entre os feridos estão sete franceses, dois alemães e um australiano.

Uma das vítimas poderia ser o espanhol Ignacio Echeverria, de 39 anos, funcionário do banco HSBC. Desde sábado, a família não consegue contato com ele. Testemunhas viram Echeverria pela última vez em confronto direto com um dos terroristas perto do Mercado de Borough. Ele teria tentado salvar uma mulher que estava sendo esfaqueada. Violência. O ataque de sábado foi o terceiro em três meses no Reino Unido. Em março, cinco pessoas morreram na Ponte de Westminster, na região do Parlamento, em um atentado semelhante, quando um homem atropelou algumas pessoas e esfaqueou outras. No dia 22 de maio, um homem-bomba matou 22 pessoas na saída do show da cantora americana Ariana Grande, em Manchester.

Em uma tentativa de fazer a cidade voltar à normalidade, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, anunciou que a prefeitura realizará nesta segunda-feira uma vigília em memória das vítimas às 18 horas (14 horas em Brasília), no Parque Potters Field. “Será uma oportunidade para os londrinos e visitantes se unirem em solidariedade aos que perderam a vida nos ataques de sábado”, disse Khan. / REUTERS, NYT, AFP e AP

 

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