Estado Islâmico tem US$ 1 bilhão, diz Paris

França aponta bilionários do Oriente Médio como financiadores de grupo jihadista que luta pelo estabelecimento de um califado na Síria e no Iraque

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 02h02

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, estimou ontem em US$ 1 bilhão os recursos dos quais o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) dispõe para comprar armas, financiar operações e organizar sua ofensiva no Iraque e na Síria.

Segundo o chanceler, uma das estratégias da Europa e dos EUA será identificar quem o financia, de forma a estrangular o fluxo de dinheiro para o grupo. "É uma guerra", afirmou Fabius, comentando a necessidade de uma ofensiva aérea e de enviar armamento aos grupos curdos do norte iraquiano que combatem o EI.

Estimativas informais de especialistas em terrorismo da Europa indicavam que o grupo pode ter até US$ 2 bilhões em financiamento. O número de Fabius é mais modesto, mas ainda assim impressionante. "O 11 de Setembro custou US$ 1 milhão. Estimamos que o Estado Islâmico disponha de US$ 1 bilhão", afirmou Fabius, em entrevista a uma rádio de Paris. "Esse califado do terror é pior do que os outros, porque ele quer que sejamos sujeitos a sua lei ou abatidos como cães."

Para Fabius, o Ocidente e países do Oriente Médio já enfrentam um conflito. "É uma guerra e estamos implicados, porque somos o objetivo final de sua luta", disse. O governo francês não comenta as fontes de financiamento do grupo porque suspeita que, além de doadores privados, o EI tenha recebido recursos de governos da região. Catar e Arábia Saudita financiaram grupos armados que lutavam no norte da Síria contra o regime de Bashar Assad e suspeita-se que eles possam ter transferido recursos também para o movimento extremista.

Órgãos de segurança europeus estimam que o EI contaria com cerca de 20 mil homens armados e remunerados. Além das doações, o grupo, que já se financiava por meio de ações criminosas, como o sequestro de jornalistas, agora dispõe de fontes próprias, como poços e refinarias de petróleo no norte do Iraque. o EI também se apropriou de recursos da sede do Banco Central, em Mossul.

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