REUTERS/Erik De Castro
REUTERS/Erik De Castro

Estado Islâmico usa suicidas para atrasar retomada de Mossul

Segundo estimativa do Exército iraquiano, restam 200 combatentes do grupo, a maioria estrangeiros, em enclave às margens do Rio Tigre

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 11h44

BAGDÁ - Os jihadistas do Estado Islâmico intensificaram os atentados suicidas para conter o avanço das forças iraquianas que estão retomando o controle da cidade de Mossul, disse nesta segunda-feira uma autoridade militar, para quem a batalha deve terminar em até uma semana. 

Mais de oito meses após o início da ofensiva para retomar a segunda principal cidade do Iraque, o EI controla apenas uma pequena parte da zona oeste de Mossul. “Em alguns bairros, o inimigo está recorrendo há três dias a suicidas, principalmente mulheres”, disse o tenente Sami al-Aridhi, comandante das forças especiais iraquianas. “Antes disso, o Estado Islâmico estava usando franco-atiradores e bombas.”

 

"Segundo o tenente, ainda há cerca de 200 combatentes do EI em Mossul”, em sua maioria estrangeiros. Para contornar a ameaça dos ataques suicidas, as forças iraquianas têm ordenado aos civis que tirem parte da roupa antes de se aproximarem dos postos de controle.

Cercados na margem oeste do Rio Tigre e do outro lado pelo Exército e pela polícia, os jihadistas estão a ponto de perder seu principal reduto no Iraque. No entanto, as ruas estreitas e densamente povoadas do centro velho complicam o avanço das forças iraquianas. 

Segundo o tenente, o fim da luta pela reconquista de Mossul deve ocorrer em cinco dias ou uma semana. Os duros combates continuam levando os civis a fugir da cidade. “Essa gente vem à cidade velha, onde há ferozes combates. Fogem do EI, da morte, da fome e do medo”, disse Nazar Salih, médico de uma clínica improvisada.

Em 2014 o EI conquistou vastos territórios ao norte e ao oeste de Bagdá, mas os iraquianos, com o apoio das forças aéreas de uma coalizão comandada pelos EUA, foram retomando lentamente o terreno.

Avanço. A reconquista de Mossul não colocará um fim à guerra contra o EI, que ainda controla várias áreas no Iraque e na Síria. O grupo jihadista, que perdeu 60% de seu território e 80% de suas receitas em três anos, ainda continua cometendo atentados em ambos os países. No domingo, um suicida detonou uma bomba em uma campo de refugiados na Província de Anbar, oeste do Iraque, deixando 14 mortos. 

Na semana passada, tropas iraquianas retomaram a Mesquita de Mossul, onde o líder do EI Abu Bakr al-Baghdadi declarou o califado em 2014. / AFP

 

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