Sergey Ponomarev/The New York Times
Sergey Ponomarev/The New York Times

Estado Islâmico toma cidade de Palmyra do Exército sírio

Patrimônio da humanidade, ela abriga colunas, templos e teatro monumentais de pé há 2 mil anos

O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2015 | 18h39

BEIRUTE - O Estado Islâmico tomou nesta quarta-feira, 21, praticamente toda a cidade histórica de Palmyra, na Síria, das mãos de forças do governo em combates acirrados, afirmaram o Observatório Sírio para os Direitos Humanos e a televisão estatal síria.

Segundo o grupo de monitoramento do conflito sírio, não estava claro o que aconteceu com as forças sírias estacionadas numa base militar nos arredores da cidade. Civis foram retirados e o responsável pelas antiguidades do país conclamava o mundo a salvar suas ruínas milenares.


Trata-se da primeira vez que uma cidade é capturada diretamente das forças do presidente sírio, Bashar Assad, que já perderam terreno no noroeste e no sul da Síria para outros grupos insurgentes nas últimas semanas.

A cidade central, também conhecida como Tadmur, foi construída nos arredores dos vestígios de uma civilização que floresceu junto a um oásis e cujas ruas repletas de colunas, templos e teatro monumentais se mantêm de pé há 2 mil anos.

A localidade abriga instalações militares modernas e está numa estrada desértica que liga a capital, Damasco, às províncias do leste sírio, a maioria sob comando dos rebeldes.

“Louvado seja Deus, (Palmyra) foi liberada”, disse um combatente do Estado Islâmico no local pela internet. Ele afirmou que o grupo controlava um hospital na cidade que as forças sírias usaram como base antes de baterem em retirada.

A televisão estatal síria disse que as Forças de Defesa Nacionais, que são pró-governo, retiraram civis depois que grandes levas de combatentes do Estado Islâmico entraram em Palmyra.

“As notícias são muito ruins. Há pequenos grupos que conseguiram entrar na cidade a partir de certos pontos”, declarou à agência Reuters Maamoun Abdulkarim, responsável pelas antiguidades da Síria. “Houve combates muito intensos.”

Abdulkarim afirmou que antes da entrada dos extremistas, centenas de estátuas foram retiradas da cidade e levadas para lugares “a salvo” do Estado Islâmico. Ele fez um apelo ao Exército sírio, à oposição e à comunidade internacional para salvarem o patrimônio mundial da Unesco. “O temor é que o museu e seus grandes monumentos não podem ser removidos. Esta é uma batalha do mundo inteiro”, acrescentou. / REUTERS

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