AFP PHOTO
AFP PHOTO

EI usa ‘dezenas de milhares’ de pessoas como escudos humanos em Mossul, diz entidade da ONU

Organizações humanitárias estão organizando acampamentos para acomodar os civis em fuga

O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2016 | 13h57

GENEBRA - Forças do Estado Islâmico (EI) no Iraque capturaram "dezenas de milhares" de homens, mulheres e crianças de áreas próximas a Mossul e estão usando as pessoas como escudos humanos na cidade, à medida que tropas do governo iraquiano avançam, informou nesta sexta-feira, 28, o Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Militantes do grupo extremista sunita mataram ao menos 232 pessoas na quarta-feira, incluindo 190 ex-membros das forças de segurança do Iraque e 40 civis, que se recusaram a obedecer ordens, disse a porta-voz de direitos humanos da ONU, Ravina Shamdasani, durante entrevista coletiva.

"Muitos deles que se recusaram a obedecer foram mortos a tiros", disse, citando relatos corroborados pela ONU que estavam "longe de serem completos, mas indicativos das violações". Entre as vítimas havia "190 ex-oficiais da segurança iraquiana", acrescentou Ravina, destacando que o número total de pessoas mortas pode ser ainda maior.

A ofensiva lançada em 17 de outubro pelas forças de segurança iraquianas para retomar o controle do último grande reduto do EI no Iraque permitiu apertar o cerco sobre Mossul pelo norte, leste e sul, mas o número de pessoas que estão fugindo da organização radical aumenta.

As organizações humanitárias organizam nesta sexta-feira acampamentos para acomodar os civis em fuga. "Constatamos um aumento enorme de civis em fuga nos últimos dias, e eles serão acomodados nos acampamentos", declarou Karl Schembri, conselheiro regional do Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC). Segundo ele, a situação "é preocupante" porque as forças iraquianas ainda não entraram na cidade. Quando isso acontecer, haverá “um deslocamento em massa", acrescentou.

No 12º dia de ofensiva, a batalha em Mossul está longe de terminar. Apoiados pela aviação da coalizão internacional sob comando dos EUA, as forças iraquianas e curdas continuam a avançar e já recuperaram algumas aldeias em torno da cidade iraquiana.

O general americano Joseph Votel, chefe do Comando Central do Exército Americano (Centcom), considerou na quinta-feira que as forças iraquianas haviam "provavelmente matado entre 800 e 900 combatentes do EI" até o presente momento.

Ele disse, no entanto, que será difícil divulgar números precisos, porque os combatentes do EI se deslocam ao redor de Mossul e tentam se misturar entre a população civil. O EI já não tem a capacidade de se deslocar em grandes comboios, mas a coalizão internacional adverte que ainda ocorrem movimentações em pequenos grupos. / REUTERS e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.