Dimitris Michalakis / Reuters
Dimitris Michalakis / Reuters

Estado Islâmico usa imagem do menino Aylan para ameaçar os sírios que fogem

Em artigo, grupo diz que os refugiados estão pondo em risco a vida e as almas de suas crianças

O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 07h00

LONDRES - O Estado Islâmico está usando a imagem do menino sírio Aylan Kurdi, que foi encontrado morto em uma praia da Turquia quando ele e sua família tentavam chegar de barco à Grécia, para sugerir que os refugiados que fogem da guerra civil na Síria merecem esse destino, segundo o jornal britânico The Guardian.

A família do menino de 3 anos deixou a cidade síria de Kobani para escapar dos confrontos entre os rebeldes e as forças de de Bashar Assad e dos ataques do Estado Islâmico. Além de Aylan, morreram também seu irmão de 5 anos e a mãe. O pai sobreviveu e voltou para a Síria para enterrá-los na cidade natal.

Sob o título "O perigo de abandonar as terras islâmicas", o EI publicou em sua revista online, Dabiq, publicou a foto do menino e advertiu que os refugiados da Síria cometem "um perigoso pecado" ao buscar asilo no Ocidente, "um pecado que acabará com as vidas e as almas das crianças".

"Infelizmente, muitos sírios e libaneses estão dispostos a arriscar as vidas e as almas dos que estão sob sua responsabilidade para criá-los fora da sharia e sacrificando muitos deles durante a perigosa viagem às terras dos cruzados governadas por leis do ateísmo e indecência", diz o artigo.

"Nas terras do Ocidente, os refugiados e suas famílias estão sob constante ameaça da fornicação, sodomia, drogas e álcool", acrescenta. "Deixar o califado abre a porta para uma criança abandonar o Islã pelo cristianismo, por ateísmo ou liberalismo."

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