Ari Jalal / Reuters
Ari Jalal / Reuters

Estado Islâmico vende, crucifica e enterra crianças vivas no Iraque, diz ONU

Segundo Comitê das Nações Unidas para os Direitos da Criança, meninos menores de 18 anos estão sendo cada vez mais usados pelo grupo como homens-bomba, fabricantes de bomba, informantes ou escudos humanos

O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 15h59

GENEBRA - Militantes do Estado Islâmico (EI) estão vendendo crianças iraquianas sequestradas em mercados como escravos sexuais e matando outras por meio de crucificação ou enterrando vivas, denunciou uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, 4.

Meninos iraquianos menores de 18 anos estão sendo cada vez mais usados pelo grupo radical como homens-bomba, fabricantes de bomba, informantes ou escudos humanos para proteger instalações contra ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos, afirmou o Comitê das Nações Unidas para os Direitos da Criança.

"Realmente estamos profundamente preocupados com a tortura e o assassinato dessas crianças, especialmente daquelas que pertencem a minorias, mas não só elas", afirmou Renate Winter, especialista do comitê, em boletim à imprensa. "A abrangência do problema é enorme."

Crianças da seita yazidi ou de comunidades cristãs, mas também xiitas e sunitas, têm sido vítimas, disse ela.  "Temos tido relatos de crianças, especialmente crianças com problemas mentais, que foram usadas como homens-bomba, muito provavelmente sem sequer entender a situação", declarou Winter à agência Reuters. "Foi publicado um vídeo (na internet) que mostrava crianças de muito pouca idade, aproximadamente 8 anos ou mais novas, sendo treinadas para serem soldados."

O Estado Islâmico declarou um califado islâmico em partes da Síria e do Iraque em meados do ano passado e já matou e expulsou de casa milhares de pessoas. Na terça-feira, o grupo divulgou um vídeo que mostra um piloto jordaniano capturado sendo queimado vivo.

O organismo da ONU denunciou "a matança sistemática de crianças pertencentes a minorias religiosas e étnicas cometida pelo assim chamado Estado Islâmico, incluindo vários casos de execuções coletivas de meninos, assim como relatos de crianças decapitadas, crucificadas e enterradas vivas".

Um grande número de crianças foi morto ou ficou seriamente ferido durante ataques aéreos ou bombardeios das forças de seguranças iraquianas e outras morreram de "desidratação, inanição e calor", afirma a entidade.

O Estado Islâmico cometeu "violência sexual sistemática", inclusive "o sequestro e a escravização sexual de crianças".  "Crianças de minorias têm sido capturadas em vários lugares... vendidas no mercado com etiquetas, etiquetas de preço nelas, foram vendidas como escravas", disse Winter.

Os 18 especialistas independentes que elaboraram o relatório pediram às autoridades iraquianas que adotem todas as medidas necessárias para "resgatar as crianças" sob controle do grupo militante e processar os perpetradores dos crimes. / REUTERS 

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