Estado palestino deve conseguir amplo apoio na ONU, prevê Israel

Israelenses querem respaldo dos Estados Unidos e da Europa na Assembleia Geral

Efe

06 Setembro 2011 | 15h34

JERUSALÉM - O governo de Israel sabe que não conseguirá um amplo apoio contra uma resolução na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo reconhecimento de um Estado palestino, mas espera pelo menos obter votos favoráveis de peso dos Estados Unidos e da União Europeia (UE), afirma um diplomata israelense.

 

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Ao menos 140 países já declararam que reconhecerão o Estado palestino independente nas Nações Unidas no final do mês, quando os palestinos solicitarem o apoio internacional a essa reivindicação, revelou o negociador palestino Nabil Shaath no domingo.

 

O embaixador israelense na ONU, Ron Prosor, considerado um dos diplomatas mais experientes do país, alertou recentemente a chancelaria de Israel sobre a falta de opções para frear o reconhecimento do Estado palestino. Segundo o jornal Haaretz, Prosor previu um resultado pouco favorável para o Estado judeu e expôs uma visão pessimista sobre a capacidade do país em influir nos resultados de uma eventual votação.

 

"O máximo que podemos aspirar (em uma votação na ONU) é que um grupo de Estados se abstenha ou esteja ausente na hora de votar", redigiu Prosor, acrescentando que seus comentários se baseiam em mais de 60 encontros que manteve nas últimas semanas com diplomatas em Nova York.

 

A opinião é compartilhada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor, para quem "os palestinos têm uma maioria automática garantida na ONU seja qual for sua proposta". No entanto, Palmor destacou que "a pergunta é como vão votar os países que estão verdadeiramente implicados no que ocorre no Oriente Médio e cuja voz conta de verdade", aos quais Israel tenta convencer a não apoiar a resolução.

 

O enfoque do Estado judeu sobre a campanha palestina em busca de reconhecimento, seja para um Estado membro pleno da ONU ou um que não integre a organização, segue invariável e consiste na rejeição plena a qualquer resolução nesse sentido, ao considerá-la "perigosa e desestabilizadora". "Os palestinos vão acordar no dia seguinte muito satisfeitos com a votação, mas vão se dar conta de que nada vai mudar em sua vida. Com a decepção e a frustração, e inspirados na Primavera Árabe, podem partir para a violência", alerta Palmor.

 

Representação

 

Fontes do gabinete do primeiro-ministro disseram que Benjamin Netanyahu está estudando a possibilidade de não participar da Assembleia Geral nesta ocasião e enviar em seu lugar o presidente, Shimon Peres, que já representou Israel neste fórum no ano passado e conta com prestígio internacional.

 

No entanto, já existem grupos contrários a essa medida e, segundo diplomatas estrangeiros pró-Israel em Nova York, enviar Peres poderia chegar a ser contraproducente e resultar em um aumento do apoio à reivindicação palestina.

 

O porta-voz da chancelaria israelense prefere não entrar em especulações, mas deixa claro que as opções são Netanyahu, Peres ou em ministro das Relações Exteriores, o conservador Avigdor Lieberman, já que o país não espera enviar um representante de menor nível.

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