Majdi Mohammed/AP
Majdi Mohammed/AP

Estado palestino seria limitado por israelenses

Será impossível estabelecer país sem o consentimento de Israel, mesmo com o aval da ONU

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2011 | 06h04

Cenário: Associated Press

Mesmo que os palestinos provem na ONU que construíram as bases de um Estado na Cisjordânia, será impossível estabelecer um país sem o consentimento de Israel, mesmo com o aval do Conselho de Segurança e da Assembleia-Geral.

 

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Israel permanecerá como árbitro final dos 4 milhões de palestinos que não podem deixar os territórios, comercializar nem construir sem o aval do Estado judaico. Planos ambiciosos, como um aeroporto internacional na Cisjordânia ou a instituição de uma moeda palestina, terão dificuldades para avançar.

A Autoridade Palestina controla cerca de 40% da Cisjordânia - ilhas de território onde vive a maioria dos 2,2 milhões de palestinos. Israel controla o restante, incluindo reservas de água consideradas cruciais e as passagens de entrada e saída da Cisjordânia. A situação atual é resultado de um acordo de paz interino da década de 90. Seria uma fase de transição que duraria cinco anos.

As cidades da Cisjordânia possuem infraestrutura para atender a classe média palestina e estrangeiros. A Prefeitura de Ramallah recapeou algumas ruas e investiu numa nova zona industrial. Em Hebron, o governo investiu na construção de 20 escolas e em um complexo esportivo. Mais de 10 mil palestinos trabalham com tecnologia e o número de empresas de informática chegou a 110 nos últimos anos. Mais de US$ 25 milhões foram investidos por americanos, dando fôlego ao setor.

Na Faixa de Gaza, a situação é bem diferente. O território é controlado desde 2007 pelo grupo islâmico Hamas - rival do Fatah, que controla a Cisjordânia. Os militantes construíram um aparato burocrático governamental com 20 mil servidores civis e 16 mil soldados - parte deles financiada pelo Irã. As fronteiras são controladas por Israel.

O aprofundamento da cisão entre palestinos minou os planos de criação da Palestina. Israel afirma que não aceitará nenhum acordo de paz enquanto o Hamas comandar a Faixa de Gaza. O governo israelense ainda exige que o Estado palestino seja desmilitarizado.

A proposta de fronteiras que Binyamin Netanyahu contempla é bem distante. O premiê israelense fundamenta seus argumentos na segurança, lembrando dos ataques suicidas e com foguetes lançados da Faixa de Gaza contra o sul de Israel desde 2005, quando o Exército israelense se retirou do território palestino.

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