Estado venezuelano testará sistema para limitar compra

Autoridades de Zulia dizem que querem conter o contrabando, mas oposição vê racionamento ao estilo cubano

CARACAS, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2013 | 02h06

Em mais um sinal de piora da situação econômica da Venezuela, autoridades anunciaram ontem restrições na compra de 20 produtos de primeira necessidade - de fraldas a arroz e pasta de dente - na segunda região mais povoada do país sul-americano. As medidas entram em vigor a partir da semana que vem e atingirão todos os moradores do Estado de Zulia.

O anúncio foi feito pelo ministro da Informação e Comunicação da Venezuela, Raimundo Urrechaga, negando que se trate de um racionamento. Segundo ele, as restrições serão aplicadas apenas em Zulia e têm por objetivo "o controle do contrabando" na região.

A oposição e analistas venezuelanos, entretanto, encararam o anúncio como um primeiro teste do governo para adotar planos mais ambiciosos de controle da escassez de produtos. O desabastecimento na Venezuela é reflexo do controle de preços implementado pelo governo, que força produtos a se manterem com valor bem abaixo do mercado, tentando conter a inflação. Mas alguns aproveitam a brecha para comprar grandes quantidades de mantimentos e, após estocá-los por algum tempo, vender em momentos de escassez.

"Levando em consideração o tamanho médio de uma família, uma pessoa deve comprar apenas 20 produtos básicos durante o período que estabelecemos, que achamos que será de uma semana", disse Blagdimir Labrador, funcionário do governo do Estado de Zulia.

O negócio é ainda mais lucrativo em Estados fronteiriços como Zulia, vizinho da Colômbia, pois os consumidores podem comprar os produtos de um lado da fronteira e revendê-los do outro, onde eles os negociam por várias vezes o preço subsidiado na Venezuela. O programa-piloto será feito em 65 supermercados. / REUTERS

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