Estados limitam união gay e direitos de imigrantes nos EUA

Nas eleições da última terça-feira em que o Partido Democrata conquistou o controle do Congresso, os eleitores americanos também votaram em uma série de referendos estaduais. Um dos principais temas de votação foi uma proposta de proibição de casamentos gays. Os eleitores de oito Estados votaram em um referendo sobre o assunto. Sete Estados aprovaram a proposta que reconhece como casamento apenas a união entre um homem e uma mulher. A única exceção foi o Arizona, que rejeitou a idéia e deixou aberta a possibilidade de união entre casais do mesmo sexo. O Arizona, no entanto, foi o único Estado a votar, e aprovar, restrições aos direitos de imigrantes ilegais. Os eleitores do Arizona decidiram que os imigrantes ilegais não terão direito a fiança quando cometerem crimes no Estado, não poderão receber indenizações em processos judiciais e não terão acesso a parte dos benefícios oferecidos pelo governo. Arizona A governadora do Estado, a democrata Janet Napolitano, foi reeleita em uma campanha em que defendeu um programa que incluía uma política de imigração semelhante à defendida pelo presidente republicano George W. Bush. Bush defende a concessão de um visto de trabalho temporário, que daria a imigrantes o direito a trabalhar legalmente nos Estados Unidos por um período, mas não permite a conversão do visto em naturalização ou cidadania. Napolitano é a favor do programa defendido por Bush e concorda com o presidente que o programa atende tanto os imigrantes ilegais presentes nos Estados Unidos (estimados em cerca de 12 milhões de pessoas) como os interesses dos empregadores, que dependem da mão-de-obra estrangeira. Bush e a governadora do Arizona compartilham a visão de que a mudança do status dado aos imigrantes minimizaria a necessidade de investir em reforços na segurança na fronteira. Os dois também concordam que o Congresso deve formular um amplo programa de reforma imigratória. Napolitano é contrária, no entanto, ao projeto de construir uma barreira de 1.125 quilômetros na fronteira entre os Estados Unidos e o México, apesar de seu Estado ser o principal destino de mexicanos que tentam entrar ilegalmente em território americano. No ano passado, 52% das detenções de 1,1 milhão de imigrantes que tentaram cruzar a fronteira foram realizadas no Arizona. Em 2005, agentes federais chegaram a prender uma média de 1.600 imigrantes ilegais por dia no Estado. Células-tronco Além de abordar temas como casamento gay e direitos de imigrantes, os referendos estaduais da última terça-feira também trataram de assuntos como legalização da maconha, aumento do salário mínimo estadual, aborto, aumento de impostos para o tabaco e limites para gastos públicos. Os sete Estados que proibiram o casamento gay foram Colorado, Idaho, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Tennessee, Virgínia e Wisconsin. Os Estados de Nevada e Colorado rejeitaram uma proposta que legalizava a posse de até 28 gramas de maconha. Em Dakota do Sul, a proposta rejeitada autorizava o uso médico da maconha. Em 11 Estados, um dos referendos era sobre uma proposta que limita o poder do governo para desapropriar propriedades privadas. O texto foi aprovado em nove Estados e recusado apenas em Idaho e na Califórnia. Apesar da participação de diversas celebridades como Brad Pitt e Julia Roberts na campanha, a Califórnia também rejeitou uma proposta que criava uma taxa sobre a produção de petróleo para financiar projetos de energia alternativa. O aumento de impostos sobre o tabaco foi aprovado no Arizona e em Dakota do Sul, e rejeitado na Califórnia e no Missouri. O Estado de Missouri também votou, e aprovou, uma proposta que autoriza a realização de pesquisas com células-tronco, inclusive de embriões, após uma campanha que contou com o apoio do ator Michael J. Fox, que é portador do mal de Parkinson.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.