Estados Unidos admitem aceitar limites a atuação de agência de espionagem

Afirmação é do porta-voz da Casa Branca; Brasil e UE preparam respostas diplomáticas ao EUA

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2013 | 22h30

GENEBRA, SUÍÇA - Sob pressão de aliados, os Estados Unidos deram nesta segunda-feira, 28, um primeiro sinal de recuo ao admitirem adotar "limites adicionais" sobre atividades da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês). O comentário foi feito pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, enquanto a União Europeia (UE) prepara - com apoio do Brasil - uma resposta diplomática às revelações dos grampos norte-americanos contra cidadãos e líderes mundiais.

"(O governo Barack Obama) reconhece que deve haver limites adicionais sobre nossa coleta e uso de inteligência", afirmou Carney. O porta-voz de Obama disse ainda que Washington deve repensar os "riscos e benefícios" de práticas da NSA. No entanto, ele voltou a negar que os EUA usem ciberespionagem para obter vantagens econômicas.

O recuo da Casa Branca vai no sentido esperado por europeus e outros países, como o Brasil. Para estabelecer esse entendimento mundial sobre proteção de dados, a União Europeia quer trabalhar com o Brasil.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, confirmou nesta segunda que o diálogo entre Bruxelas e Brasília deve ocorrer em breve. "Com certeza, falaremos com o Brasil", disse Barroso. "Trabalharemos com todos os governos que estejam dispostos a encontrar uma solução para isso", completou.

As notícias sobre a interceptação de milhões de comunicações de cidadãos europeus e de líderes nacionais, como a chanceler alemã, Angela Merkel, surpreendeu autoridades de Bruxelas.

No domingo, 27, a imprensa noticiou que a NSA monitorou, em um mês, 60 milhões de chamadas telefônicas na Espanha, país de 47 milhões de habitantes. Antes, havia sido revelado que 35 líderes mundiais tiveram suas ligações rastreadas. No caso de Merkel, seu celular estaria grampeado desde 2003.

Considerado uma pessoa próxima dos EUA, Barroso afirmou que ampliará os contatos diretos com a Casa Branca em busca de um acordo. Em entrevista à imprensa suíça, o presidente da Comissão Europeia afirmou que "não adianta bater sobre a mesa" e defendeu que a única saída é dialogar.

Parte de sua posição apaziguadora tem como explicação o fato de Barroso não querer que a crise saia de controle e comprometa seriamente as relações entre os dois lados do Atlântico. Sobre sua mesa está justamente a negociação do maior acordo comercial do mundo, entre Europa e EUA.

Barroso, entretanto, também está sob pressão para reagir às violações norte-americanas reveladas nos últimos meses. "É algo inaceitável vindo de aliados. Não se pode aceitar que um cidadão europeu veja isso ocorrer. A luta contra o terrorismo é muito importante, mas algumas regras precisam existir", disse.

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