EFE/Yonhap
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Em meio à tensão, Coreia do Sul e EUA realizam exercícios militares anuais

Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, pediu a Pyongyang que não use as ações como desculpa para agravar ainda mais a situação na região

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2017 | 01h50
Atualizado 21 Agosto 2017 | 11h44

SEUL - Coreia do Sul e EUA iniciaram seus exercícios militares anuais conjuntos nesta segunda-feira, 21, enquanto o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, pediu a Pyongyang para não usá-los como desculpa para perpetuar o "círculo vicioso" das tensões.

Milhares de soldados participaram da manobra militar "Ulchi Freedom Guardian" (UFG). Com base, na sua maioria, em simulações por computador, esses exercícios serão realizados na Coreia do Sul e vão durar duas semanas.

Moon ressaltou que o exercício UFG é "puramente defensivo por natureza". Pyongyang não deve "usá-lo como desculpa para provocações que agravariam a situação", afirmou. "A Coreia do Norte deve compreender que suas reiteradas provocações obrigam a Coreia do Sul e os EUA a realizarem exercícios conjuntos, perpetuando o círculo vicioso", acrescentou.

Os dois aliados apresentam as operações como defensivas, mas, para Pyongyang, trata-se de uma repetição provocadora da invasão de seu território. Todo o ano, os norte-coreanos ameaçam lançar represálias militares.

A operação de 2017 ocorre em um contexto de alta tensão e de guerra retórica entre Washington e Pyongyang. A Coreia do Norte testou dois mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) em julho, e garantiu que consegue atingir o território americano. Como reação, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou responder com "fogo e fúria" às ações de Pyongyang.

Em seguida, a Coreia do Norte prometeu lançar uma salva de mísseis perto do território americano de Guam, no Pacífico. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, decidiu pouco depois suspender o plano, alertando que sua ativação depende apenas do comportamento de Washington.

Estratégia

As manobras militares anuais em questão datam de 1976 e levam o nome de um general que defendeu o antigo reino coreano do invasor chinês. Cerca de 50 mil soldados sul-coreanos e 17,5 mil americanos participam delas. No ano anterior, o efetivo dos EUA chegou a 25 mil homens.

A imprensa sul-coreana informou que Washington cogita abandonar seu projeto inicial de enviar dois porta-aviões para perto da península, no âmbito desse treinamento.

No domingo, o secretário americano da Defesa, James Mattis, desmentiu que os EUA tenham tido a intenção de acalmar Pyongyang, diminuindo o número de soldados envolvidos no UFG. Seu número foi reduzido "com a intenção de atingir os objetivos do exercício", disse ele à imprensa.

O chefe do comando do Pacífico da Marinha americana, almirante Harrys Harris, chegou no domingo à Coreia do Sul para acompanhar os exercícios e discutir a ameaça representada pelos programas balísticos e nucleares da Coreia do Norte.

Na véspera, Pyongyang acusou Washington de "jogar lenha na fogueira". O jornal do partido único no poder, Rodong Sinmun, advertiu para a "fase incontrolável da guerra nuclear". Os EUA "se enganam mais do que nunca" se pensam que uma guerra "acontecerá em outro país, longe deles, do outro lado do Pacífico". / AFP

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