Estados Unidos e Irã trocam ameaças

O Irã disse que os Estados Unidos sofrerão "danos e dor" em virtude da insistência americana em enviar a questão nuclear iraniana ao Conselho de Segurança da ONU. A ameaça foi feita pelo subdiretor do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Javad Vaeidi, durante a sessão desta quarta-feira do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). "Os Estados Unidos têm o poder de causar dano e dor. Mas os EUA também são suscetíveis ao dano e à dor, portanto, se eles quiserem ir por esse caminho, deixemos que a bola se movimente nessa direção", disse Vaeidi. A afirmação vem a tona um dia depois de o vice-presidente americano Dick Cheney declarar que "a comunidade internacional está preparada para impor conseqüências significativas" contra Teerã caso o país mantenha seu programa de enriquecimento de urânio. O representante iraniano afirmou que existem duas opções para a resolução do impasse: um compromisso de cooperação ou o confronto. Segundo Vaeidi, o país espera realizar a primeira opção. Ele enfatizou, no entanto, que o Irã seguirá com a pesquisa sobre o enriquecimento de urânio. Resposta americana O governo americano, em resposta, assegurou que o Irã dispõe de 85 toneladas de urânio em forma de gás (UF6), o que seria suficiente para fabricar dez bombas, de acordo com uma análise foi feita por especialistas da ONU e divulgada ao plenário do Conselho de Governadores da AIEA pelo embaixador americano Gregory Schulte. O diplomata acusou o Irã de não cumprir nenhuma das exigências expostas pela Junta de Governadores da AIEA em sua última reunião de emergência. Ele destacou que o país deveria suspender o programa de enriquecimento de urânio, ratificar o protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e aplicar as novas medidas de transparência exigidas pelo diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei. Schutle também falou que "chegou o momento de ação para o Conselho de Segurança das Nações Unidas". A tendência, segundo ele, é que a ONU reforce a tese de que o Irã sofrerá as conseqüências caso não cumpra com suas obrigações. "As declarações e ações de provocação só isolam mais o Irã do resto do mundo" afirmou o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, que viaja com o presidente George W. Bush pelas zonas afetadas no ano passado pelos furacões no Golfo do México. Diplomatas presentes na reunião da AIEA afirmam que as declarações iranianas podem constituir uma ameaça velada de uso do petróleo como uma arma, já que o país é o segundo maior produtor de petróleo do mundo dentro da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) Mohamed El Baradei disse na quarta-feira, em Viena, que continua otimista com uma solução negociada para o caso nuclear, apesar da crescente agressividade na retórica entre Estados Unidos e Irã. "Continuo otimista, porque acho que, cedo ou tarde, todas as partes vão perceber que não há outra opção do que voltar às negociações", disse o responsável da agência nuclear da ONU após o final de uma reunião do Conselho de Governadores da AIEA. Baradei reconheceu, no entanto, que o dossiê iraniano será enviado imediatamente ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Agencia Estado,

08 Março 2006 | 15h43

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