BULENT KILIC/AFP
BULENT KILIC/AFP

Estados Unidos e Rússia manobram para obter trégua humanitária na Síria

Obama e Putin se encontrarão hoje para discutir acordo, cujo objetivo é permitir a entrega de ajuda aos sírios sitiados; ONG que monitora conflito diz que Estado Islâmico perdeu o controle sobre últimos vilarejos na fronteira com a Turquia

O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2016 | 05h00

HANGZHOU, CHINA - Representantes da diplomacia americana e da russa trabalham, nos bastidores da reunião do G20, na China, para manter vivas as negociações e obter um acordo para trégua na Síria. A polarização do conflito colocou rebeldes sírios apoiados pelos EUA de um lado e forças do regime de Bashar Assad, amparadas pela Rússia, do outro. Os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin se encontram hoje.

O líder americano afirmou ontem que os dois países estão buscando um acordo de cessar-fogo, que será discutido hoje. “Ainda não chegamos lá. Temos graves diferenças com os russos quanto aos lados que apoiamos, mas também quanto ao processo necessário para levar paz à Síria”, declarou Obama a jornalistas. 

No campo de batalha, as forças do governo sírio e seus aliados obtiveram uma importante vitória ao recapturar regiões no sudoeste de Alepo, tomadas por rebeldes no mês passado, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Um acordo que cessaria a batalha e permitiria a chegada de ajuda humanitária deveria ser anunciado ontem pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov. Mas Kerry chegou sozinho após o encontro e disse que ainda havia alguns itens a serem discutidos.

Autoridades de EUA e Rússia realizaram vários encontros desde a viagem de Kerry a Moscou, em julho, com a proposta de interromper os conflitos.

O cessar-fogo seria supervisionado pela inteligência de dois países, em cooperação para atacar o Estado Islâmico (EI) e outros grupos. Para o plano dar certo, a Rússia teria de convencer o presidente sírio a deixar sua Força Aérea em solo. 

A guerra já matou 250 mil pessoas e desalojou 11 milhões, causando uma crise de refugiados no Oriente Médio e na Europa e contribuindo para o crescimento de grupos militantes.

Veja abaixo: Atentado do EI na Síria deixa dezenas de mortos

Moscou apoia Assad com bombardeios contra a oposição, enquanto os EUA ajudam alguns grupos rebeldes que querem derrubar o presidente sírio e se apresentam como Exército Livre da Síria.

A Casa Branca disse que Obama e Putin terão a chance de conversar informalmente nos bastidores do G20. O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, por sua vez, confirmou o encontro e informou que não estava definido se ele seria informal ou uma reunião oficial. 

O vice-chanceler russo, Serguei Ryabkov, afirmou que um acordo estava próximo, mas que não se podia prever quando será finalizado. “Estamos próximos do acordo, mas a arte da diplomacia requer tempo”, explicou ele.

Os dois países estão sob pressão internacional para chegar a um entendimento. Ainda ontem, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, fez um apelo à Rússia para que finalize o cessar-fogo com os EUA, permitindo a chegada de ajuda humanitária à população sob cerco em Alepo.

Fronteira. Ainda ontem, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora o conflito, informou que o Estado Islâmico perdeu o controle das últimas populações que dominava na região da fronteira da Síria com a Turquia, após uma ofensiva de facções rebeldes apoiadas por aviões e tanques turcos. 

Essas populações estão localizadas entre Jarabulus e Al-Rai, no norte da Província de Alepo. A derrota custará aos jihadistas o contato com o exterior, segundo o Observatório. No sábado, o Exército turco enviou 20 tanques, 5 blindados, caminhões e maquinaria pesada à região de Al-Rai para lutar contra o EI. Em apoio aos rebeldes sírios, forças turcas iniciaram uma ofensiva na região, que também visa o combate às milícias curdas. / NYT, AP, REUTERS e EFE

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