Estados Unidos encerrarão caçada em Tora Bora

Ao concluir o terceiro mês da campanha militar no Afeganistão, as Forças Armadas norte-americanas estão a ponto de encerrar as buscas pelo milionário saudita Osama bin Laden nas montanhas de Tora Bora, informou hoje comandante da Operação Liberdade Duradoura, general Tommy Franks. O general ressaltou que o iminente fim das buscas "caverna por caverna" em Tora Bora não significa a renúncia dos Estados Unidos ao seu objetivo de capturar Bin Laden "vivo ou morto", mas sim uma mudança na tática da operação que, segundo sua descrição, tem se caracterizado como uma "caça às cegas". A decisão, no entanto, é interpretada nos meios diplomáticos como um reflexo dos crescentes sinais da frustração norte-americana com o fracasso dos esforços para capturar Bin Laden e o chefe supremo da milícia Taleban - que controlava a maior parte do Afeganistão havia dois meses -, mulá Mohammed Omar. A coalizão antiterror liderada pelos EUA bombardeou incessantemente o complexo de cavernas de Tora Bora por três semanas e as forças afegãs anti-Taleban tomaram as montanhas, na esperança de encontrar o saudita entre os combatentes da organização Al-Qaeda que resistiam ali. Mas a maior parte dos soldados de Bin Laden rompeu o cerco e escapou tanto para áreas montanhosas próximas - onde, segundo o Pentágono, tentam se reagrupar - quanto além da fronteira com o vizinho Paquistão. As buscas realizadas por soldados norte-americanos e britânicos indicaram que o líder terrorista esteve em Tora Bora, mas não puderam estabelecer quando ele deixou o complexo. Quanto ao caso de Omar, as esperanças de Washington de que ele fosse capturado no fim de semana passado se diluíram depois do fracasso das negociações entre militares afegãos e comandantes pashtuns pró-Taleban que lhe davam proteção na Província de Helmand, no sul do país. Agora, no entanto, depois de versões segundo as quais Omar escapou do cerco fugindo de motoclicleta, Washington não tem pistas sobre seu paradeiro. No Pentágono, há dúvidas até mesmo sobre se Omar esteve em algum momento em Helmand. Por outro lado, funcionários do governo interino afegão anunciaram hoje a rendição de três ex-ministros do regime Taleban, incluindo o da Justiça, mulá Nuruddin Turabi - responsável pela decisão de proibir as mulheres afegãs de trabalhar fora de casa e estudar, e pela obrigação de todos os homens afegãos de usar barba de pelo menos "um dedo" de comprimento. Os outros dois ministros que se entregaram foram o da Defesa, mulá Ubai Dullah, e o da Indústria, mulá Saad Udin. O porta-voz do governo provincial de Kandahar, Khalid Pashtun, disse que os três ex-ministros serão libertados com base na anistia geral para ex-membros do Taleban que não foram acusados de nenhum crime específico. Pashtun informou que o ex-embaixador do Taleban no Paquistão, mulá Mohamed Haqqani - antecessor de Abdul Salan Zaeef, sob custódia dos EUA - também tinha se entregado. Leia o especial

Agencia Estado,

08 Janeiro 2002 | 19h06

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