James Quigg/The Daily Press via AP
James Quigg/The Daily Press via AP

Estados Unidos enviam imigrantes a prisões federais

Em razão do elevado número de ilegais detidos, governo enviará 1.600 pessoas para presídios

O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 20h23

WASHINGTON - A Agência de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA está transferindo 1.600 presos para prisões federais como meio de enfrentar o excesso de processos resultantes das novas políticas de “tolerância zero” do governo de Donald Trump, informou nesta sexta-feira, 8, a instituição.

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Os presos, que enfrentam deportação e aguardam as audiências, serão encaminhados para prisões em Washington, Texas, Oregon, Arizona e Califórnia – apenas a penitenciária de Victorville, nos arredores de Los Angeles, receberá mil deles.

“Em razão da explosão no número de travessias ilegais e da política de tolerância zero do Departamento de Justiça dos EUA, a ICE trabalha para atender à demanda por espaço adicional de detenção para imigrantes”, disse a porta-voz Danielle Bennett. De acordo com ela, o uso das instalações federais deve ser temporário, até que a ICE possa contratar novos centros de detenção ou até que reduza o que ela chamou de “aumento súbito” nas travessias ilegais de fronteira.

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O número de prisões feitas pelos agentes de fronteira dos EUA subiu para mais de 50 mil nos três últimos meses, atingindo seus níveis mais altos desde a queda dos números de imigração ilegal, após a posse de Trump. O Departamento de Segurança Interna colocou em custódia 52 mil imigrantes em maio – quase três vezes o número do mesmo mês em 2017. A situação irritou o presidente, que ficou furioso com Kirstjen Nielsen, secretária de Segurança Interna.

Michael Kaufman, um advogado da equipe da União Americana das Liberdade Civis, no sul da Califórnia, disse que a notícia é preocupante. Segundo ele, até agora os detidos tinham sido levados pela ICE às prisões do condado ou para instalações privadas.

“O que há de diferente é que esta é a primeira vez que vimos a ICE colocando pessoas numa prisão real em vez de cadeias ou de instalações privadas. E é isso que desmente a noção de que a detenção é civil”, disse ele ao Washington Post. 

“Os detidos civis devem ser mantidos em condições que sejam apropriadas para alguém que esteja detido apenas por razões não punitivas. E, se eles estão sendo levados para instalações que foram construídas para prender pessoas condenadas por crimes, isso causa preocupações realmente sérias.”

John Kostelnik, presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos da Federação Americana de Empregados do Governo, disse que os trabalhadores estavam tentando ajeitar os prisioneiros para ganhar espaço.

A nova política de “tolerância zero”, que ameaça com acusações criminais federais quem for pego cruzando a fronteira ilegalmente, aumentou de forma significativa o número de crianças separadas dos pais, o que se tornou um ponto emocional no debate nacional sobre a imigração. 

Kaufman disse que viu semelhanças na transferência de detentos e outras medidas punitivas de imigração, como as separações de crianças. “Estão tentando punir as pessoas por passar legalmente pelo processo de imigração”, afirmou.

PARA LEMBRAR. Causou grande comoção, em maio, a notícia de que os Estados Unidos pretendiam enviar para bases militares as crianças imigrantes que cruzam a fronteira sem nenhum parente adulto ou após o governo separá-las de seus pais, no mais recente indicativo de que o governo Trump avança com seus planos de separar as famílias que cruzam a fronteira ilegalmente. 

Segundo funcionários do governo, medidas estão sendo adotadas para conter o drástico aumento no número de famílias que cruzam a fronteira ilegalmente. Agentes americanos prenderam mais de 100 mil pessoas tentando atravessar a fronteira em março e abril. 

Críticos denunciam que a medida, uma prática que qualificam de “impiedosa”, deixam traumas em famílias que fogem das sangrentas guerras de gangues de países da América Central. /TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO, WASHINGTON POST

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