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EUA impõem sanções a oligarcas russos por "atividades maliciosas"

Objetivo da punição é pressionar Rússia e Vladimir Putin; Donald Trump afirmou que nenhum outro presidente americano foi tão firme contra os russos

O Estado de S.Paulo

06 Abril 2018 | 18h55

WASHINGTON - Os Estados Unidos impuseram sanções a empresários, empresas e funcionários russos nessa sexta-feira, 5, atingindo pessoas próximas ao presidente Vladimir Putin. A ação é uma das decisões americanas mais agressivas em resposta às ações russas mais recentes.  As sanções congelam quaisquer ativos que os alvos tenham sob jurisdição dos EUA e impede que americanos negociem com eles.

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O governo americano afirmou que proverá orientação a seus cidadãos que atualmente tenham negócios com os russos penalizados sobre como devem reduzir tais negócios e evitar entrar em conflito com as sanções. Não ficou claro se os alvos têm posses suficientes nos Estados Unidos que possam ser apreendidas ou se, caso as possuam, já tenham movido seu dinheiro para outros locais em antecipação às sanções, visto que a lista de sancionados hoje teve uma prévia divulgada em janeiro deste ano pelo Departamento de Estado e Tesouro. À época, os nomes eram vistos como potenciais alvos de punições.

As novas sanções atingem o Kremlin devido a seu "contínuo e crescente comportamento de imprudência", afirmaram funcionários americanos, que não foram autorizados a se identificar. Dentre as ações imprudentes russas, os funcionários listaram a anexação da Criméia, o apoio aos separatistas ucranianos e ao presidente sírio Bashar Al-Assad, além do cyber-hacking. Os americanos ainda adicionaram que as tentativas russas de corromper a democracia do Ocidente incentivaram as sanções, em referência direta às preocupações de que Trump falhou ao confrontar Putin pela suposta interferência nas eleições presidenciais de 2016.

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Alvos.

Sete magnatas russos estão entre os punidos, incluindo Oleg Deripaska, que atua no ramo do alumínio. Além destes, outros 17 funcionários e empresas sofreram com a decisão. Deripaske chefia um conglomerado empresarial que controla desde ativos na agricultura até maquinário e tem sido figura proeminente na investigação do procurador especial Robert Mueller sobre suas conexões com o presidente da campanha de Trump, Paul Manafort. O departamento de Tesouro americano afirmou que Deripaska foi acusado de escutas ilegais, extorsão, crime organizado, lavagem de dinheiro e até ameaças de morte contra seus rivais empresariais. Na Bolsa de Ações de Londres, os certificados de depósito global da En+, uma companhia de energia majoritariamente possuída por Deripaska, caíram em 19% após a notícia das sanções. O conglomerado de Deripaska, Basic Element, afirmou lamentar as sanções e disse que está analisando a ação com seus advogados.

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Os punidos pelo ato de hoje não estão necessariamente envolvidos nas ações russas na Síria, Ucrânia ou outros países. Mas funcionários americanos disseram que o objetivo é aumentar a pressão sobre Putin e mostrar que os que se beneficiaram financiamente por sua posição de poder também fazem parte do jogo. "Oligarcas e elites russos que se beneficiam do sistema corrupto não mais serão isolados das consequências das atividades desestabilizadoras de seu governo", disse o secretário do Tesouro Steven Mnuchin.

A lista dos alvos é composta tanto de pessoas íntimas a Putin, como de indivíduos distantes da órbita do Kremlin - há funcionários de elite envolvidos nas tomadas de decisões do governo sobre as empresas estatais e também pessoas que se desentenderam há tempo com o governo sobre posicionamentos técnicos. Dentre os penalizados estão Kirill Shamalov, genro de Putin, casado com sua filha Katerina Tikhonova - apesar de nem Putin ou o Kremlin assumirem que ela é filha do presidente; Igor Rotenberg, filho de Arkady Rotenberg, amigo de Putin desde a adolescência; Andrey Kostin, que chefia o segundo maior banco do país, o VTB, controlado pelo Estado; Alexei Miller, chefe da gigante do gás nstural Gazprom, também controlada pelo Estado; uma empresa estatal de negociação de armas, acusada pelos EUA de vender armamento ao presidente sírio Assad. Muitos outros alvos das sanções estão associados ao setor energético russo.

Pressão.

Funcionários do alto escalão do governo Trump afirmaram que a ação dessa sexta-feira é parte dos esforços para responder ao governo Putin, e enfatizaram que desde que o presidente assumiu o cargo, os EUA puniram 189 pessoas e entidades com relações russas. Donald Trump continua evitando críticas a Putin e recentemente convidou o líder russo à Casa Branca. Nas últimas semanas a administração Trump tomou uma série de decisões, incluindo atos diplomáticos e econômicos, para aumentar a pressão sobre Putin e aqueles que se beneficiam de seu poder. "Ninguém nunca foi tão firme contra a Rússia como eu", afirmou o presidente americano durante uma coletiva de imprensa na última terça-feira.

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Resposta.

Não houve reação formal do Kremlin à ação americana, mas Leonid Sluktsy, que comanda o comitê de relações internacionais da Câmara Baixa do Parlamento afirmou que "não há razões ou fundamentação sensatas" para a decisão dos EUA. "Esse é um exemplo de histeria descontrolada contra a Rússia, liderada pelos Estados Unidos e exportada com sucesso para o continente europeu", disse Slutsky, conforme noticiou a agência Tass. // AP

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