Tom Brenner/Pool via AP
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Estados Unidos insistem em discutir com Irã sobre programa nuclear

Teerã rejeitou reunião no domingo e disse hoje que sanções devem ser levantadas antes de qualquer encontro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 20h12

WASHINGTON - Os Estados Unidos afirmaram nesta segunda-feira, 1°, que continuam prontos para se reunir com o Irã, apesar de o governo iraniano ter rejeitado um diálogo direto com Washington.

“Dissemos claramente que os EUA estão preparados para se reunir com o Irã para abordar o modo de alcançar um retorno mútuo (ao acordo nuclear)”, declarou hoje o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price. 

“Não somos dogmáticos sobre a forma e o formato dessas conversações”, disse Price à imprensa, acrescentando que o governo americano ia consultar seus sócios europeus sobre a questão.

As autoridades iranianas disseram no domingo que não consideravam o “momento apropriado” para conversações e protestaram pelas “posições e ações recentes dos EUA” e dos signatários do acordo nuclear assinado em 2015, referindo-se aos ataques da semana passada do governo americano contra grupos pró-Irã na Síria, acusados de disparar foguetes contra interesses de Washington no Iraque.

O Irã afirmou hoje que os EUA deveriam suspender primeiro as sanções se querem conversar para salvar o acordo nuclear, que o ex-presidente Donald Trump abandonou em maio de 2018.

“O governo do presidente Joe Biden deveria mudar a política de pressão máxima de Trump com relação a Teerã. Se querem conversar com o Irã, primeiro deveriam suspender as sanções”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh.

O presidente americano, Joe Biden, afirmou que Washington está disposto a conversar sobre a retomada dos compromissos das duas nações com o pacto, segundo o qual Teerã obtém um alívio das sanções limitando suas atividades nucleares.

Mas, enquanto o Irã exige a suspensão das sanções dos EUA primeiro, Washington diz que Teerã precisa voltar a cumprir o acordo, que Teerã vem desrespeitando progressivamente desde 2019. Ocidente teme que o Irã tente fabricar armas nucleares, enquanto a República Islâmica assegura que esse nunca foi seu objetivo.

A chancelaria iraniana exortou hoje o Conselho de Governadores de 35 nações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a não “criar uma confusão” endossando uma iniciativa liderada pelos EUA para a adoção de uma resolução contra a decisão de Teerã de reduzir sua cooperação com a agência da ONU.

A reunião em Viena ocorreu ontem após o Irã promulgar uma lei no final do mês passado que restringiu o acesso automático de inspetores a alguns locais, já que Teerã reclama que não está obtendo as recompensas econômicas prometidas em troca de restrições ao seu programa nuclear.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, pediu hoje que as inspeções às instalações nucleares do Irã não sejam usadas como uma “moeda de troca”, em meio aos esforços para reviver seu acordo nuclear. / AFP e REUTERS

 

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