Estados Unidos pedem eleições livres no Paquistão

Enviado americano exige fim do estado de exceção e que presidente Musharraf abandone comando do Exército

Efe,

17 de novembro de 2007 | 11h41

Os Estados Unidos pressionaram neste sábado o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, com a visita do subsecretário de Estado americano, John Negroponte, que pediu o fim do Estado de exceção e que o general abandone o comando do Exército, mas não necessariamente a Presidência, para realizar eleições livres.  Veja também: Arsenal nuclear do Paquistão 'está seguro com militares'  O funcionário americano chegou na sexta-feira a Islamabad e se reuniu nos quartéis do Exército com Musharraf e o homem que parece destinado a sucedê-lo à frente das tropas, o atual "número dois" do Exército, general Ashfaq Pervez Kiani. A mensagem de Negroponte foi muito clara: Musharraf deve pôr fim ao Estado de exceção o mais rápido possível, abandonar a chefia do Exército e respeitar os direitos fundamentais, como a liberdade de imprensa. Musharraf, que declarou o Estado de exceção em 3 de novembro, já tinha conversado por telefone com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mas Negroponte é, até o momento, o mais alto funcionário a estar presente no Paquistão desde a declaração da medida. Na visita de dois dias, Negroponte afirmou ser necessário um afastamento de Musharraf, mesmo que temporário, da chefia do Exército para que as eleições legislativas, previstas para acontecer em sete semanas, possam ocorrer de forma livre, justa e imparcial. O presidente paquistanês havia declarado previamente que deixaria o cargo militar antes do fim deste mês, após anunciar que as eleições legislativas seriam realizadas antes de 9 de janeiro de 2008. No entanto, o governante ainda não estabeleceu uma data para o fim do Estado de exceção, apesar das críticas internacionais e da imediata reação das forças opositoras, que organizaram protestos nunca vistos no país. Durante a reunião, Negroponte ressaltou a preocupação dos Estados Unidos devido à atual crise política no Paquistão, e pediu a libertação de todos os opositores e ativistas detidos em virtude do Estado de exceção. Conversas com oposicionistas O subsecretário americano falou por telefone na chegada ao país com a ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, que se mostrou muito crítica a Musharraf, apesar de ter recebido deste a permissão para voltar ao país em outubro em virtude de um acordo de repartição de poder patrocinado por Washington. Negroponte disse à líder opositora que os Estados Unidos procuram manter os contatos com as forças políticas moderadas no Paquistão para devolver o país ao âmbito da Constituição. A crise evidenciou a sintonia entre as mensagens de Bhutto e os pedidos feitos por Negroponte, embora a ex-primeira-ministra tenha passado a exigir a renúncia de Musharraf também como chefe de Estado. Em entrevista esta semana, o general sustentou que a decisão de declarar o Estado de exceção foi tomada porque a sobrevivência do Paquistão é mais importante do que a democracia, e se mostrou orgulhoso por levar o país rumo a uma "transição democrática". "Queridinha do Ocidente" Em entrevista a um programa de rádio da BBC, o presidente Musharraf descartou as chances de a líder da oposição e ex-primeira-ministra Benazir Bhutto vencer as eleições e disse que, na verdade, ela teme participar do pleito. O presidente chamou Bhutto de "queridinha do Ocidente", mas disse que "ela não gostaria de concorrer em uma eleição porque seu partido não está em condições de vencer". Nos últimos tempos, Bhutto, que lidera o Partido do Povo Paquistanês (PPP), principal sigla da oposição, vinha negociando um acordo de divisão de poder com Musharraf. Nesta semana, no entanto, a ex-premiê, que foi colocada duas vezes em prisão domiciliar nos últimos dias, afirmou que a possibilidade de um acordo com o general havia sido descartada completamente. Bhutto foi libertada de seu segundo período de prisão domiciliar na madrugada desta sexta-feira e disse que pretende se reunir com outros líderes de oposição para discutir um boicote às eleições parlamentares de janeiro. Na entrevista à BBC, o presidente rebateu as críticas sobre o estado de exceção e disse que eram os juízes e os políticos de oposição - e não ele - que estavam tentando desestabilizar o processo político e democrático no Paquistão."Eu fiz algo constitucionalmente ilegal? Sim, eu fiz, no dia 3 de novembro. Mas eu havia feito isso antes? Nunca", disse Musharraf. "Quem está tentando desestabilizar o processo político e democrático? Sou eu? Ou são alguns elementos da Suprema Corte (...) e agora alguns elementos do campo político?"

Tudo o que sabemos sobre:
PaquistãoEUAMusharraf

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.