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Estados Unidos se reaproximam da América Latina

Reatamento entre Washington e Havana é mais um passo na nova diplomacia do governo do presidente Barack Obama para a região

Fernanda Simas, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 03h00

A nova relação entre EUA e Cuba é só mais um passo na nova relação de Washington com países da América Latina. Essa é a visão do subsecretário adjunto para a América do Sul e Cuba do Departamento de Estado americano, Alex Lee. “O 7.º encontro das Américas (Cúpula das Américas), no Panamá, foi um momento histórico para a região. Pela primeira vez, todos os 35 países da América participaram e marcou o encontro de mais alto nível entre Cuba e EUA desde 1958”, afirmou Lee ao Estado. 

A retomada das relações foi anunciada em dezembro pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro, depois de mais de 50 anos de rompimento. Lee não cita um motivo específico, mas ressalta o argumento de Obama de que os 50 anos de isolamento sobre Cuba não surtiram efeito e afastaram os EUA do futuro cubano. “Com essa nova política de engajamento, estamos finalmente em posição dr avançar nossos interesses”, disse. “Um maior contato com o povo cubano nos permite apoiá-los e ajudá-los a delinear seu próprio destino.”

As conversas entre Washington e Havana foram realizadas entre a subsecretária para as Américas, Roberta Jacobson, e a diplomata cubana Josefina Vidal. Questionado sobre uma eventual participação do ex-presidente Fidel Castro no processo, Lee não respondeu. Segundo ele, o Departamento de Estado e a Casa Branca envolveram grupos de cubano-americanos em diversos momentos do processo e essa participação deve continuar ocorrendo.

Sobre a possibilidade de eleição de um presidente republicano nos EUA, em 2016, que poderia mudar a nova política da Casa Branca com Cuba -, Lee usou uma frase de Obama. “Uma vez mais, os EUA mostram que parte da nossa liderança no mundo é a nossa capacidade de mudar.”

Recentemente, outro país que falou em aproximação com os EUA foi a Venezuela, cujo governo tem sido criticado por Washington em razão da prisão de líderes opositores. “A chave de nossa conversa com a Venezuela é ressaltar a importância do diálogo, o respeito às instituições democráticas, às eleições e o comprometimento com os direitos humanos e as liberdades fundamentais”, afirmou Lee, que revelou a preocupação dos EUA com a decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela de barrar opositores da eleição legislativa de dezembro.

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