Estados Unidos vão passar "algum tempo" no Iraque

A conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, declarou a um diário pró-governamental egípcio que as forças americanas controlarão o Iraque durante "um certo tempo" depois de sua "libertação" do regime de Saddam Hussein."Acreditamos que, quando o Iraque for libertado desse terrível regime, o povo iraquiano será perfeitamente capaz de dirigir seus assuntos. Mas, num certo momento, em especial durante o desenvolvimento das operações militares, necessitaremos restabelecer a ordem. As forças militares dos EUA desempenharão um papel de primeiro plano nisso", disse Condoleezza, em entrevista ao presidente do diário Al-Ahram, Ibrahim Nafie, publicada neste domingo."Os EUA e seus aliados deverão preservar durante algum tempo a segurança, assegurar que não haja atos de violência, manter a unidade do país e garantir que a ajuda humanitária chegue ao povo."Condoleezza descartou a possibilidade de instalação no Iraque de um governo militar e insistiu em que as autoridades americanas agirão para instaurar uma administração civil iraquiana.Para isso, disse ela, a Casa Branca pretende recorrer a um grupo de iraquianos que partiriam dos EUA para ajudar a dirigir os ministérios e fazer o possível para promover a retomada das atividades.Condoleezza ressalvou que nas próximas semanas o governo americano "abrirá uma janela diplomática" na questão iraquiana, apesar de ter como objetivo "livrar-se de Saddam Hussein", a quem ela comparou com o ditador soviético Josef Stalin.Em sua edição deste domingo, o diário The New York Times destacou que o plano de ataque dos EUA ao Iraque prevê, nas primeiras 48 horas, uma "chuva" de mais de 3 mil mísseis e bombas contra alvos militares e do comando do governo iraquiano, abrindo caminho para dois ataques terrestres para destituir Saddam.Citando fontes no governo, o jornal informou que, nesses dois dias iniciais, cerca de 700 mísseis de cruzeiro Tomahawk seriam lançados de porta-aviões e bombardeiros. Esses ataques seriam dez vezes mais potentes do que os que deram início à Guerra do Golfo, em 1991.Para evitar um elevado número de vítimas entre os civis e, ao mesmo tempo, conseguir imediatamente isolar Saddam de seu poderio militar, o plano de ataques aéreos dependerá mais de bombas guiadas por satélite do que no conflito anterior.Na Turquia, centenas de soldados, veículos blindados e material bélico lotaram trens que partiram de Istambul para a região sudeste do país, na fronteira com o Iraque. O governo turco está concentrando tropas nessa área em preparação para a guerra, pois teme que uma deposição do governo no Iraque provoque revoltas separatistas da minoria curda iraquiana e desestabilize o sudeste da Turquia, habitado majoritariamente por essa etnia.

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