Guillermo Arias / AFP
Guillermo Arias / AFP

Estados Unidos voltam a examinar pedidos de asilo

Espera terminou para um grupo de 25 migrantes, o primeiro a cruzar do México para os EUA, onde seguirão com seu processo de pedido de asilo como parte da nova política de imigração

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2021 | 23h13

TIJUANA - A espera terminou para um grupo de 25 migrantes, o primeiro a cruzar nesta sexta-feira, 19, do México para os Estados Unidos, onde seguirão com seu processo de pedido de asilo como parte da nova política de imigração do presidente americano, Joe Biden

Sua entrada a partir da cidade de Tijuana marcou o fim da medida que os obrigou a permanecer no México enquanto os tribunais americanos respondiam aos seus pedidos.

Essa política foi implementada pelo ex-presidente Donald Trump por meio do Programa de Proteção ao Migrante (MPP, na sigla em inglês). 

Os migrantes atravessaram em um ônibus até a cidade de San Diego, nos EUA, acompanhados por funcionários do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), segundo a agência France Presse

Um oficial encarregado de um abrigo para migrantes em San Diego confirmou por sua vez que essas pessoas já estavam acomodadas em um hotel e que receberiam ajuda para chegar a seus destinos.

Para serem beneficiários imediatos, os interessados já devem ter um processo de asilo iniciado. “O Acnur é quem conduz o processo com o governo do México, eles definem quem tem um caso ativo perante o juiz de imigração ou um recurso”, explicou à imprensa Ericka Piñero, advogada da organização de defesa de migrantes Al Otro Lado.

Devolvidos 

Em El Chaparral, Tijuana, vários migrantes passaram a noite ao lado da cerca gradeada que marca a fronteira entre o México e os Estados Unidos. Havia cerca de 100 centro-americanos e 400 haitianos.

Com seus poucos pertences, alguns carregando famílias inteiras e usando máscaras de proteção contra a covid-19, eles olharam com esperança para o norte.

A maioria reconheceu que não chegou a iniciar nenhum procedimento formal e apenas três conseguiram cruzar entre aplausos. Porém, ficaram nos Estados Unidos por pouco tempo: foram devolvidos sob a alegação de problemas técnicos.

A hondurenha Nelly Maribel Cabrera entrou com seus documentos para uma audiência no tribunal que tinha marcada para esta sexta, mas foi adiada para a próxima quarta-feira. “Confio no novo presidente, que ele vai me ouvir e me ajudar porque estou aqui há dois anos”, disse Cabrera depois de ser devolvida ao México.

Esperança e decepção

A multidão ficou desanimada com a falta de avanço ao norte. Ali estava a haitiana Geraldine Nacice, que chegou há dois anos a Tijuana e tem uma filha nascida no México.

“Na verdade, não tenho nada marcado, mas não posso mais ir para o meu país, o Haiti está em guerra agora. Minha família está esperando por mim” nos Estados Unidos, contou.

O cubano Yabdiel Álvarez também teve sua audiência agendada para esta sexta adiada, mas não se importa em esperar mais um pouco. “Não havia esperança, agora já existe com o novo presidente Joe Biden”, afirma.

Enquanto isso, em Matamoros, na fronteira com Brownsville, onde os primeiros migrantes deveriam deixar um acampamento montado a poucos passos dos EUA, segundo o Acnur, eles começarão a travessia na próxima terça-feira.

Lá, um grupo de pessoas dos Estados de Guerrero e Chiapas tentou entrar para ser incluído na operação, mas o acampamento está fechado desde quinta.

Os Estados Unidos pediram para evitar viagens para a fronteira, indicando que apenas aqueles que atenderem aos requisitos de admissão serão chamados de maneira ordenada.

Uma autoridade migratória da Guatemala informou nesta sexta-feira que os países da América Central estão preparando um plano para uma possível onda de migração de haitianos, cubanos, asiáticos e africanos para os EUA.

O governo do México costumava se recusar a receber migrantes deportados de outras nacionalidades, mas com a chegada ao poder do esquerdista Andrés Manuel López Obrador, em dezembro de 2018, o México se tornou de fato um terceiro país seguro.

López Obrador cedeu às pressões tarifárias de Trump, após as enormes caravanas do fim de 2018 e início de 2019.

Foi assim que se consolidou o MPP, através do qual cerca de 70 mil pessoas foram devolvidas ao México entre janeiro de 2019 e dezembro de 2020, segundo organizações civis americanas. Segundo o governo mexicano, cerca de 6 mil migrantes permanecem no país como parte do programa "Permaneça no México"./AFP 

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