Estagnação da renda ameaça futuro dos EUA

Cenário: David Leonhardt / NYT

O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2012 | 03h03

Impostos, gastos públicos, saúde e regulamentação financeira. Foram essas as questões que dominaram o debate político nos últimos anos e estão jogando um papel de destaque na eleição presidencial americana. Elas ofuscaram o maior desafio dos EUA: sair de uma década de estagnação na renda que tem afligido a classe média e os pobres e exacerbado a desigualdade.

As causas da estagnação da renda são variadas e carecem da simplicidade política de apelos para reduzir o déficit ou evitar um novo derretimento de Wall Street. Elas não podem ser rapidamente remediadas por leis aprovadas em Washington. As principais causas não são as questões que dominam o debate político. No topo da lista está a revolução digital, que permitiu que máquinas substituam muitas formas de trabalho humano, e a moderna onda de globalização, que permitiu a milhões de trabalhadores mal remunerados por todo o globo começarem a competir com os EUA.

Não muito abaixo na lista está a educação. À medida que os níveis de capacitação se tornaram cada vez mais importantes para a prosperidade, os EUA perderam sua antiga liderança global em realização educacional. Parte da desconexão entre os problemas econômicos e as soluções oferecidas por Washington deriva da natureza do debate político atual. A campanha presidencial tem se concentrado mais na Bain Capital e na "turnê de pedido de desculpas" do que nos desafios criados por globalização e automação.

Mas os economistas e outros analistas também assinalam a escala do problema. Nenhum outro país rico - nem o Japão, nem nenhum país da Europa - formulou com precisão como responder aos desafios.

Qual a solução para esse matagal de forças econômicas? Essa é a questão que Obama e Romney estão tentando convencer os eleitores de que podem responder melhor. Ambos aceitam que o governo e o mercado têm seus papéis, mas colocam ênfases distintas nisso.

É difícil imaginar como globalização ou automação podem ser paradas. As soluções propostas tendem a envolver sua administração. Períodos anteriores de transformação econômica acelerada também criaram problemas que pareciam permanentes, mas não eram. Nem o descaroçador de algodão, nem a máquina a vapor, nem o automóvel criaram desemprego em massa. "Quando a tecnologia reduz a necessidade de certos tipos de trabalho, pessoas inventivas descobrem um modo de usar aquela mão de obra fazendo coisas que outras pessoas querem comprar", disse Friedman. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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